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Saturday, July 31, 2004



Um dia, quem sabe, ele vai olhar os olhos dela e ver que estão calados.

Ela vai ficar sem assunto, vai querer ser delicada com a loucura dele, ele vai deixar que ela entenda errado a loucura dele, até confirmar nos olhos mudos dela o que a sua boca não falou.

Nessa altura ele vai “chorar”. Vai “chorar” o amor deles que morreu à míngua. Ele vai “chorar” sozinho no silêncio dela. O silêncio da indiferença. Que mata feito veneno de cobra, à traição.

Um dia vão tomar rumos desiguais, vão perder-se de vista e vão sobreviver. Ele vai guardar-se no apego da lembrança dela, até perder a esperança dela, até não duvidar mais do fim deles os dois.

Mas ela não vai ser a mesma depois dele, vai ser mais desconfiada, mais astuta. Ele também vai ser diferente, vai distrair-se em outros corpos, vai coleccionar outros casos, vai passar o tempo, quem sabe lembrar-se dela de vez em quando, vai delirar com outras paixões, vai fazer outras promessas de amor, vai responder com um sorriso duvidoso, porque nem é sorriso de verdade. É sorriso triste. O sorriso da ironia, das coisas fingidas.

Um dia, quem sabe, ele vai lembrar-se dela com mais necessidade dela … pode ser que seja de manhã, ao acordar, pouco depois do almoço, mais provável à noitinha, se duvidar, vai ser de madrugada, quando ele começar a ouvir o silêncio que ficou no lugar dela.
Silêncio comprido, aquela coisa sem fim, irremediável. O silêncio do agora é tarde. Agora é nunca mais.





Há notícias e notícias, assim como há pessoas boas e boas pessoas, pessoas de boa índole e de muito má índole, pessoas oportunistas e oportunistas disfarçados de íntegros, enfim … há de TUDO e disso não tenho dúvida!

Mas lá que as notícias se vão fazendo de algum tipo de excepcionalidades, disso também não tenho dúvida. Provavelmente até devo acrescentar que os órgãos de comunicação social são negócios (negar o ócio) como outros quaisquer.

Spots publicitários que têm de ter alguns conteúdos que chamem a atenção das pessoas e correspondam às suas expectativas sazonais ou permanentes; formas de entretenimento baratas e acessíveis. A verdade é que não acrescenta grande mal ao mundo que o que se divulgue e se torne acontecimento seja da ordem do “fait-divers”.

Faz-se em grande aquilo que nós fazemos com o nosso círculo de amigos: comentamos a vida dos outros, emitimos juízos de valor, damos conselhos com ar douto, pregamos sermões e falamos de moda, do desporto, das condições de vida, de política, do estado do tempo e de mais umas coisitas … cheios de convicções ou meramente para fazer conversa e encher incómodos espaços vazios.

Feliz ou infelizmente a vida das gentes é pejada de banalidades. Raramente acontece qualquer coisa digna de nota, raramente se experimenta acontecimentos que a sequência dos dias não devolva ao tamanho real: poucochinho.

Vai daí os coitados dos órgãos de comunicação social "esmifram-se" na descoberta do que é novo ou pelo menos diferente. Vai daí na cata da excepcionalidade improvável dimensionam-se fatias de vida, mesmo que mesquinhas e pequeninas, como se fossem parcelas imensas.

Os resultados umas vezes são interessantes, outras surpreendentes, outras tornam-se aterrorizadores, outras são quase cómicos, mas muitas vezes de um atabalhoamento aflitivo e de uma parolice divertida, do estilo da forma de estar dos Novos Ricos – fazer as coisas em grande não tanto para benefício próprio, ou por sentido estético, mas para dar nas vistas aos “vizinhos” aos “amigos” etc, etc …

A lógica implícita nisto de vender notícias, é que os consumidores têm de fazer o trabalho de casa: distinguir o trigo do joio e como adulto que se é, há que ter a capacidade crítica para perceber que o que é dito, são apenas palavras, chavões, frases, opiniões, modos de ver que valem o que valem e que são o que são.

Mas o problema é que, os que têm de repor a proporção das coisas ditas e vistas vêem-se gregos. Não fica fácil explicar por exemplo que:

Os jovens não são na sua esmagadora maioria devassos, drogados e com vidas sexuais intensas;

Que os pais que têm duas horas inteiras por dia para os filhos (depois de oito horas de trabalho, duas de transporte, sete de sono, uma de higiene pessoal, outra para comer, e mais três para todos os outros afazeres) são excelentes e esforçados porque dão o que têm;

Que não se fica anoréctico por não querer ser gordo.

Que gostar de crianças não torna os homens e as mulheres pedófilos e também mas agora pela negativa … nem tudo o luz é oiro, ai não não!

Mas … vai-se tentando fazer o tal jogo de cintura entre o banal e o excepcional … assim meio termo … se é que me faço entender!! Como disse o Prof. Agostinho da Silva: ” … Nestes termos comunico a todos os Amigos que não imporei a ninguém a leitura de textos meus e que só responderei a quem me escreva, pedindo ( para aumentar o supérfluo...) que cada carta venha com selinho de resposta, mas um apenas, para me não obrigar a escrituração administrativas. Para tudo o que fordes e fizerdes rogarei perfeito empenho e boa sorte, bom vento de navegar”






Todos os dias sou “entulhada” por mensagens "boas", "simpáticas", "nem por isso" , "vírus" etc, etc.


Há, contudo, algumas delas “mascaradas” de “simpáticas”, que exigem alguma atenção. É que esse tipo de mensagens, normalmente bem feitas pela forma, quase que indiciam que se vá na onda de reencaminhar, ou responder, ou subscrever ou … whatever.

Foi o que aconteceu hoje.Recebi uma Petição para fiscalização da constitucionalidade da última revisão constitucional.

Cá está uma mensagem que me pareceu daquelas “simpáticas”.

Esta mensagem terminava apelando ao Bem-estar Social, do estilo: "Assina para Bem de Todos Nós".

huuummmm …. Pensei eu cá está uma boa causa, porque sou um bocadito irreverente, a minha vontade foi de imediato subscrever essa petição mas, depois de a ler, e na minha modesta opinião, verifiquei que os considerandos subjacentes ao pedido revelam um anti-europeísmo assustador.

Não sou europeísta, e isso é um facto, no entanto defendo a ideia de uma Europa unida, uma América unida, uma Ásia unida, uma África unida ....constituída pelos cidadãos e ao seu serviço, plebiscitada por voto directo.

Ok, sou também um pouquito naífe …

Ainda assim, não é pelo facto de denunciar a prepotência da imposição de uma Constituição elaborada nos gabinetes e aprovada pela clientela unanimista do “Bloco Central” que faz de mim uma “euro-céptica” ou seja lá o que for.

É verdade, eu não assino, mas é claro que divulgo.

http://usuarios.lycos.es/reverconstituicao/indice.php




Friday, July 30, 2004



"Quando era pequenino, no liceu, obrigavam-nos a uma coisa chamada Mocidade Portuguesa, que incluía farda, marchas, discursos patrióticos e parvoíces correlativas.
 
Chamavam-nos “filiados” e havia um livrinho, com um desenho de um filiado feliz, de braço espetado á nazi, junto ao “filiado”, as palavras “Mandamentos do Bom Filiado”. Dez, como na Bíblia.
 
O Sétimo, dizia: “O bom filiado é aprumado, limpo e pontual”, mas os problemas residiam quase sempre no Primeiro e rezava assim: “O bom filiado educa-se a si próprio por sucessivas vitórias de vontade”, então quedava-me num esforço de compreensão que me esturricava os neurónios, só parecido com o embaraço que o padre da igreja introduzia no meu crânio ao pedir: - Meditemos agora na paixão do Senhor, inclinava-se de olhos fechados, a meditar e eu achava-me o pior dos imbecis porque não era capaz de meditar em nada e, ainda menos, na paixão fosse de quem fosse. Bem me inclinava, bem fechava os olhos e a meditação não vinha. Vinham o sono, aborrecimento, a ideia de uma menina de tranças, mas meditação peva.

O Senhor lá estava na cruz, por trás do padre, todo sanguezinho, todo coroa de espinhos, todo sofrimento, espetadíssimo em pregos, e aquilo que uma pobre criança de seis anos podia partilhar  com Deus era a sua incompreensão e o seu tédio.

Para quê tanto escuro, tanto drama, tanta tristeza, qual a intenção de me impingirem horrores e de me impedirem a alegria e o sonho?

Como podia amar um Deus assim tão paradoxal?! Terrível em castigos, mandando pragas, que juntava a estas características de serial-killer, prantos compulsivos de dor no caso de eu não comer a sopa toda?!

A esta perplexidade a Mocidade Portuguesa achou por bem juntar aquele primeiro mandamento vigoroso e tremendo: : “O bom filiado educa-se a si próprio por sucessivas vitórias de vontade”, dando comigo a tropeçar no educar-me a mim próprio e, mais ainda, nas sucessivas vitórias da vontade. Como deveria fazer para me educar a mim próprio?! Como raios se conseguem sucessivas vitórias da vontade?!

Resolvi começar pelo aprumado, limpo e pontual, que se me afigurou mais fácil. O limpo e pontual com algum esforço conseguia-o, o aprumado encontrei no dicionário, tudo coisas, aliás, em que o bom filiado se encontrava em sintonia com o Senhor, que portanto imaginei logo, de farda, espetando braços nazis.
 
Talvez o Senhor fosse aquele Homem de trinta ou quarenta anos, que mandava na Mocidade Portuguesa, vigiando-nos no recreio do liceu, com olhinhos severos, em sentido, marcial, duro, educado por si próprio, limpo, pontual, aprumadíssimo, com sucessivas vitórias da vontade no activo.

O problema era o meu acne juvenil … bem lá teria de aceitar o acne divino, mas a minha vontade era diante dos filiados, em pelotão perfeitinho confessar bem alto:

Não sou aprumado e pontual;
Não me educo a mim próprio por sucessivas vitórias da vontade
.

Mas não … inclinava a cabeça, de olhos fechados (fingindo uma meditação comprida), de barrete, cinto, e toda aquela tralha preparando-me para marchar no pátio do liceu, com tambor e uma corneta à frente, espetando o braço numa saudação viril, em jeito de filiado feliz, recitando em coro com os outros filiados felizes, os Mandamentos, tão limpos, tão pontuais, tão aprumados, saindo o portão do liceu, afugentando até os pombos municipais que voavam esparvoados, diante da “nossa” Fantoche determinação bélica. Ai que farsa …."


 
(António Lobo Antunes)



Wednesday, July 28, 2004



Eu não queria
Ter a fragilidade de uma rosa
Que esquece as suas pétalas
Com um aceno de luar.

Eu não queria
Ter a fragilidade das ondas
Que desmaiam
Com os suspiros do mar.

Eu queria
Que o meu corpo ainda fosse gerado,
Num útero de aço!...
Sem a fragilidade de uma rosa,
Sem a fragilidade das ondas do mar.



Tuesday, July 27, 2004



É um mundo complicado este em que vivo, em que o simbólico da “coisa” é muito mais importante que a “coisa” em si.

Um quadro pode valer milhões, uma peça de vestuário milhares, um objecto centenas de milhar … o bom e o mau, o bonito ou o feio não são chamados para o caso, o que conta é uma espécie de juízo crítico parido em pequenos grupos. Grupos de referência ou de especialidade que, quais sacerdotes de uma divindade inominável, estabelecem legitimidades e valores que, por curtos períodos de tempo, viram dogmas de culto.

Mais do que isso, pela produção constante de novos “simbólicos”, alimentam-se, a uma escala planetária, estilos de vida e de consumo sempre em reformulação e em movimento, como se se dirigissem para algum lado em vez de gastarem apenas o que é suposto gastar: energia.

E assim se move este MUNDO LIGHT, em que o valor das “coisas” tem pouco a ver com o que elas são intrinsecamente. O que conta, o que faz a diferença, é a atribuição que se faz sobre um produto, um indivíduo ou uma ideia, o “RESTO” não interessa … o resto é só “loucura”, sou mesmo louca, mas se estou louca, que louca é que estou?!





O Ser é a base. É onde ficam o País, a Cidade, o Bairro, a Casa onde nós nascemos, o tipo de Família que nos trouxe ao mundo com Raça, Origem e categoria social e formou a sua educação, seja doméstica, formal pela escola, informal ou social e no que o espelho e a sua consciência revelam e se aceita.

O Ter é aquilo que se agregou a nós, sejam bens materiais ou a bagagem cultural, intelectual ou científica, desenvolvida a partir dos valores que acredita positivos para a sua existência. O Ter é o que nós não temos e acreditamos possuir.

O problema é que, entre o Ser e o Ter, existe o Parecer. Algumas pessoas querem parecer o que não são e o que não têm. É o mundo da aparência, do supérfluo em que uma camisa ou um vestido, por exemplo, é aceite não por sua qualidade intrínseca, mas por ostentar uma marca de alta significação para a imagem de quem usa.

Um relógio, dando outro exemplo, deveria servir apenas para ler as horas, mas pode definir uma posição social de quem, diferencialmente ostenta uma marca famosa. Falo em objectos para não caminhar na senda perigosa da essência, pois aí o terreno é movediço.

A sociedade e, por mais que não queiramos estamos nela envolvidos, cobra o Ser, o Ter e o Parecer.

O Parecer é o reflexo, a imagem que os outros têm de nós, a partir de juízos de valor falsos ou verdadeiros. É aquilo que pode ser fabricado com “marketing pessoal”e o sair de casa, para mostrar-se ou ser visto, compensa o vazio de não poder ficar consigo mesmo e gostar disso.

Algumas pessoas acreditam Ser o que os outros pensam ou dizem delas. Essas pessoas, certamente, ficam à cata do que se chama de validação. A validação, é acreditar no que o outro diz para admitir-se Ser aquilo. Não pesa, para o validado, a referência própria, aquilo que a sua essência profunda diz, mas o que lhe é soprado ou gritado no seu ouvido ou escrito a seu respeito.

Essa eterna questão entre o Ser, o Ter e o Parecer passa, talvez necessariamente, pela maior ou menor capacidade de cada um se auto-avaliar e ver a auto-estima a partir da própria consciência. Mas, descubro ter começado um assunto que não cabe em texto. Bem apropriado, seria um Ensaio ou Tese para os quais, infelizmente, faltam-me engenho, densidade e tempo.
 
Ainda assim … a mim não me interessam os Rolex, os Jaguar, os Dinheiros. Quanto a mim, cada vez mais me interessa Ver o CORAÇÃO das "COISAS", e mesmo assim quanta vezes me engano! 
 
Como disse Chamfort: “Há tolices bem vestidas como há tolos bem vestidos”.



Thursday, July 22, 2004



Em quase um mês … quanta mudança!   Durante algum tempo os portugueses andaram mascarados de bandeira nacional.

 O Partido socialista tinha acabado de vencer as eleições europeias, com um diferencial imprevisível sobre a direita (pelas minhas contas, foi mesmo Paulo Portas com a magra percentagem do CDS/PP, quem terá permitido a Durão maquilhar a derrota política que, de facto, colocou o PSD alguns pontos abaixo da barreira psicológica dos 30%).
 
 Neste último mês, ou pouco menos, quantos acontecimentos … parece que TODO o UNIVERSO conspirou, contra mim e contra tantos outros.   A nível pessoal uma lástima, factos(?!) e factos (?!); a nível socio-político a coisa também não esteve nem está famosa. Senão vejamos:  
 
O primeiro-ministro pôs-se ao fresco para Bruxelas, aproveitando o que a imprensa internacional chamou de um “mínimo denominador comum”; o País traumatizou-se com a “desgrécia” ao perder o Euro 2004; o Presidente da República encenou um enorme tabu à volta da “solução da crise política” – já estou habituada, na vida há quem seja verdadeiro actor de cinema, e a gente acredita – para entregar depois o Governo a um líder político que não se apresentou nessas condições ao eleitorado e o Ferro Rodrigues, vencedor das eleições europeias, demitiu-se da direcção do partido socialista.  
 
Imaginem toda esta situação para quem esteve fora do País?! Se se demorassem mais … haveriam de precisar de um visto para entrar no próprio País.  
 
Brincadeiras à parte, Portugal e a sua imagem mudaram como nunca haviam mudado desde o 25 de Abril. Nessa altura, os mais velhos sentiram – eu não tinha ainda na altura consciência social e política – que o País poderia finalmente caminhar à frente dos sujeitos e das vontades individuais que o constituem. Essa sensação de velocidade e deslizamento, de determinação da história pela acção imparável da força colectiva, foi a principal marca que 1974 deixou na nossa história mental.  
 
Assim fomos aprendendo, como a democracia é a constituição da preservação dessa força, que aparece sempre que a deixam aparecer: Guterres sucumbiu em Dezembro de 2001 e Durão e o seu Governo dois anos mais tarde, pouco mais que isso.  
 
Por isso continuo a achar que a decisão de Sampaio e a recusa do PSD em disputar eleições surgem marcadas pelo signo de “inexplicável suspeita de resistência”.  
 
O P.R. não é um técnico constitucional, é um actor político que dispõe da confiança dos portugueses para interpretar, constitucionalmente, o estado da democracia.   Num País que esteva à beira de um duplo referendo sobre o aborto, uma economia eleitoral nas actuais condições políticas, para além de estar-mos em colapso nacional, tem um sentido muito diferente da apregoada “defesa constitucional”.   Trinta anos depois de 1974, o mundo político volta a fechar-se sobre si próprio: nos negócios das secretarias, nos compromissos secretos, nos erros de casting, no autismo jurídico e tecnocrata.
 
Eu desafiei o Universo, o Universo CONSPIROU …. E eu apanhei por “tabela”, a verdade é que todos apanhámos … ano bissexto?! 
 



Wednesday, July 21, 2004



Instalou-se em mim, uma desilusão tão grande! eu que me considero persistente, por vezes chego a duvidar … é que a resistência é tão forte, que me chegam a faltar as forças.

Quando é que vou poder aceitar a Hipocrisia das Pessoas?
Quando é que vou poder aceitar a Mentira?
Quando é que vou poder aceitar este Circo de Vida?
Quando é que vou poder aceitar a Inveja?
Quando é que eu me vou poder levantar, sem este peso em mim?
Quando é que vou deixar de andar a gravitar neste Mundo de Faz de Conta?

Não vale a pena pensar se vale ou não a pena escrever sobre o que sinto. Afinal de contas, mesmo quando o trabalho que se tem a descrever o que se sente se torna irrelevante face às implicações de o fazer, o facto de se ter feito vale a pena, demonstra algum propósito.

Não creio no entanto, que exista o escrever só por escrever, pois não se consegue higienizar um acto da carga subjectiva do actor: o que há é o escrever por vontade. Escrever é agir, pode-se é indagar se valerá a pena agir dessa forma num planeta onde a escrita é também ruído e repressão.

Estou cansada, mas começo a acreditar que o problema é meu, os Outros reagem de forma diferente, acho que reagem bem, enquanto eu já tenho alguma dificuldade em digerir as situações de uma forma saudável, ou simpática, ou mesmo de uma forma … Normal, aceitando pura e simplesmente …

Quando era criança, fantasiava a vida de adulta de uma outra forma, como se o difícil fosse ser criança, como se tudo melhorasse depois de completar os famosos 18 anos.
Depois os 18 anos eram já irrelevantes… Depois, era a certeza que tudo iria ser fantástico depois de acabar o curso… Depois, quando tivesse emprego e fosse financeiramente independente é que seria viver … Depois era quando tivesse a minha família, Depois … Depois … Depois …. E Depois sempre o Depois …

Estou cansada demais para continuar a fazer de estátua!

Desenhem depressa e em traços bem largos a cor dos meus olhos, desenhem depressa o gesto do meu corpo, desenhem depressa o movimento da minha boca, por cada monossílabo que ainda vou dizendo, desenhem bem devagar o bater do meu coração, porque ele já não bate ritmado e enérgico. O meu coração já não é emoção … 

Eu quero muito sentir que o que digo hoje, só vale mesmo porque o hoje é hoje!

Nada do que diga ou escreva tem qualquer valor … sou eu que declaro inúteis as minhas palavras, as minhas emoções, o meu sentir.

Não quero voltar à superfície deste ar corrosivo, e quero viver sem ambição alguma.

Quero passar a utilizar as vírgulas onde dê mais jeito e não onde as deva utilizar. Eu não quero ser correcta, não quero ser lembrada por mais do que a minha forma de andar, de vestir, de olhar, de falar …

Não quero ser o Outro de quem se espera uma ideia, porque as minhas ideias sempre foram erradas e errantes e se alguém viu ou ouviu uma ideia minha é porque a perdi e as ideias perdidas não têm dono, nem podem ser achadas nem devolvidas.

Não quero ser o Outro de quem se espera sempre a Força, porque eu já não tenho força…
Não quero ser o outro, de quem se espera sempre um grande Sorriso, porque eu já nem sorrio…
Não quero ser o Outro de quem se espera uma palavra de conforto, porque eu já não tenho palavras…
Não quero ser o Outro de quem se espera sempre uma atitude correcta, porque eu já não sei o que é o correcto …
Não quero ser o Outro que tem sempre tempo, porque eu não tenho Tempo …

Estou cansada de morrer para os sonhos, de pintar as mesmas fantasias, de limpar a alma “suja”, de aceitar a injustiça, de obedecer ao destino, de tirar tantas pedras do caminho, de plantar as mesmas esperanças, de enganar as retinas, de viajar nos desejos presos, de amparar a mesma tristeza, de não entender esta difícil tarefa de viver, estou cansada de seguir em frente.

 Estou cansada de tudo. Estou cansada de mim…de acalentar esta revolta, na esperança que amanhã é outra vez amanhã …mas eu não quero escrever sobre o que sinto! E não sei quando o voltarei a fazer … Por isso desenhem-me rápido, rápido porque eu só tenho o AGORA.





A maior parte dos portugueses que elegeram Jorge Sampaio, sentiram-se recentemente como alguém que compra um carro em segunda mão e passado algum tempo vissem confirmados os seus piores receios – o de que foram LEVADOS.
 
De facto os eleitores portugueses, não são suficientemente pós-modernos (a não ser os que já nem se dão ao trabalho de ir votar) para terem posto completamente de parte, apesar das dúvidas que lhes possam suscitar, conceitos como os de “esquerda” e “direita”. Senão porque raio haveriam de ter votado Sampaio? Por ser do Sporting? Por tocar piano? Por falar francês?
 
Sampaio não se apresentou aos portugueses dizendo: “Votem em mim que tenho uns lindos olhos”. Invocou, isso sim ideias e valores e foi em nome dessas ideias e valores que foi eleito. Por isso não pode agora iludir esse compromisso político e moral fundamental escondendo-se atrás do chavão: “Presidente do todos os Portugueses”.
 
Também os governos são “governos de todos os portugueses”, os que votam e os que não votam., e nem por isso deixam de governar a favor de uns e contra outros.
 
Porque raio têm os políticos como Sampaio tanto medo (depois de eleitos) da “instabilidade” de eleições, preferindo “coisas" como a de um Governo Sampaio/Santana/Portas/Cinha Jardim?
 
Porque ouviu Sampaio tantos “ilustres” – presidentes, banqueiros, juristas blá, blá, blá ao longo de vários dias e não achou necessário ouvir por exemplo os portugueses, ou pelo menos quem se sente verdadeiramente português?!
 
Talvez alguém, deveria ter lembrado a Sampaio o famoso diálogo de Xenofonte: “Achas que é possível saber o que é a democracia sem saber o que é o demos? – Por Zeus, que não! – E sabes o que é demos? – Claro que sei. – Então o que é o demos? – Para mim, são os pobres, dentre os cidadãos”…
 
Daí que tanta gente hoje esteja decepcionada. Não só com Sampaio, mas com o próprio processo democrático. Porque nos negócios da política não é possível, quando um eleito não cumpre o contrato político feito com os eleitores, devolvê-lo dizendo: “Não foi isto que comprei, quero o meu voto de volta”,a factura tem que ser paga até ao fim. Só em próximas eleições é que se protesta, comprando de novo e arriscando porque tudo volta a repetir-se.
 
Por isso é que a “loja” tem cada vez menos clientes.
 
Eu portuguesa?! Nã assim não.



Tuesday, July 20, 2004

Mon Coeur est ...
 

Não sei porquê, mas hoje o meu coração insiste estar algures entre Montreal ...
 

Cap Saint-Jacques
 

 
... et sous le charme du Québec!



Monday, July 19, 2004

Amor Forte
 


 
Por mais que me esforce, por mais que tente, por mais que queira, é mais forte do que eu o amor que sinto.

O momento em que se quer renunciar á pessoa amada, mesmo amando forte, não estamos a fazer mais do que renunciarmos a nós próprios, renunciar ao mundo, renunciar ao universo inteiro.  Eu não quero renunciar a ti, porque te amo.

O amor relativiza; a renúncia absolutiza.

E não há sentimento mais absoluto do que a solidão em que somos lançados após o derradeiro abraço, o "último" e desesperado entrelaçar de mãos e poder usufruir daquele momento mágico, embebido de ternura, em que a voz falseia, as mãos se abandonam e cada qual vê o outro se afastar como se através de uma cortina líquida ou de um vitral embaçado.

Há todo um imaginário sobre as separações, construído pela literatura e pelo cinema.

O cenário pode ser uma estação de comboio, um aeroporto ( remember Casablanca), um entroncamento rodoviário. Pode ser uma praça ou uma praia deserta. Falésias ou ruínas de uma cidade perdida. Um SMS, um mail … Em todos estes Adeuses existe uma grande dor, uma solidão cósmica, um imenso sentimento de desterro, que se curam algum tempo depois com um amor vulgar, desses feitos para durar uma vida inteira... mas nunca como este que sinto.



Saturday, July 17, 2004


 
“Noite é querer, é poder, é disfarce, é deixar para trás e largar. Escuro é esconder, é guardar, é um livro esquecido e papel para escrever.

Há uma janela no rio, há um monte a tapar, há vento que entra... frio..e tu a olhar.

Mais uma carta rendida, mais um cenário que manda dançar; Mais uma dança perdida e a noite só para lembrar.

Festa é gritar, é ganhar, é correr, é fugir demais, ... fugir demais...

Noite é poder, é querer, é chorar em teus braços, teus olhos, teus traços, teus lábios, meus paços e em ti eu acabo meu fado,  teu fado é meu fado, em ti eu acabo...”



S. Pedro?!
 


 
O partido estendeu-lhe o tapete, quando já por diversas vezes lho tinha tirado. O Presidente da República oferece-lhe o Governo do País, satisfazendo-lhe a ambição. Nasceu no dia de S. Pedro e …
 
Na verdade, Santana não tem falta de adversários, ódios de estimação e rancores, ganhos das suas polémicas gestões, da Secretaria de Estado da Cultura à Câmara Municipal de Lisboa, passando pelo Sporting (mas disso eu não falo – sou uma perfeita ignorante, como de resto quase sempre !), pelo município da Figueira da Foz e eu sei lá …
 
Eu acho que Santana, como de resto muito mais gente, anda algures entre o Vazio e a Inconstância.
 
Dizem que em rapaz dos tempos que jogava à bola para os lados de Belém e quando estava a perder se agarrava à bola e ia-se embora antes do jogo terminar. A técnica de birra utilizou-a algumas vezes em política, misturada com vitimização.
 
Lembro-me da “cenaça histórica” quando se foi queixar ao P.R. pelo facto de no Big Show Sic, o terem parodiado – “exagerando-lhe” (?) o gosto pelas borgas e mulheres. Convocou uma conferência de Imprensa para dizer que ia abandonar a política. Foi sempre desta forma que Santana se apresentou com um estilo incendiário, artista, vocação para contestar o poder, perfil de político carente que precisa chamar a si todas as atenções.
 
Depois de muitos saltos aqui e ali – e todos com saídas pouco airosas e nada claras – em 1997 candidatou-se à Câmara de Figueira da Foz. Quis pôr a cidade na moda, embora as grandes festas, o Mundialito de futebol de praia e o oásis de palmeiras no areal tenham feito as delícias dos figueirenses, Tanga foi a sua herança ao deixar também aquele município.
 
Quando entrou para a Câmara, a dívida era de 1,8 milhões de contos, quando saiu deixou um endividamento de 13 milhões de contos.
 
Santana conseguiu 25 milhões de euros de fundos comunitários para a Figueira – facto. O passivo da autarquia aumentou na proporção da participação da Câmara em alguns dos projectos, como o Centro de Artes e Espectáculos (CAE), uma obra que ninguém contesta – facto. O CAE custou 2 milhões de contos, foi financiado por fundos comunitários em um milhão e meio de contos, a autarquia teve de entrar com ½ milhão – facto.
 
Santana teve a ideia de construir um Centro de Congressos, contratou um arquitecto espanhol, que se deslocou à Figueira para fazer a apresentação do projecto. Após as eleições a nova maioria da Câmara cancelou por não haver dinheiro e houve que indemnizar o arquitecto – facto; o anteprojecto custou 500 mil contos e a indemnização ao arquitecto espanhol custou 200 mil – facto.
 
Recentemente, Santana já reconciliado com Durão, ganha a câmara de Lisboa, mas deixa-a também com o trânsito por resolver e um futuro túnel embrulhado.
 
E é isto a gestão de Santana Lopes, a ver vamos ….
 
Se um dia for eleito primeiro-ministro, a primeira coisa que faria era ir à Kapital festejar
Pedro Santana Lopes (Entrevista Expresso – 1997)



Friday, July 16, 2004

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Thursday, July 15, 2004

The Show Must Go On
 



Apesar de tudo, continuamos … e este "apesar de tudo" cobre o infinito.

Apesar de termos acreditado na eternidade e depois descobrirmos que nada se mantém estável por muito tempo.

Apesar de termos sofrido noites inteiras por amores que não se concretizaram ou que foram vagos ou pueris.

Apesar de termos sido rejeitados, apesar de o nosso amor não ter sido suficiente.

Apesar de todos os livros escritos, todas as sentenças filosóficas, todas as análises terapêuticas e todos os exemplos de paixões falidas.

Apesar de termos mais de 15 anos e estarmos numa idade em que os outros acreditam que o nosso coração envelheceu, apesar de saber que o amor acaba, que o amor talvez nem seja pelo outro, mas apenas uma projecção do amor que a gente tem por nós mesmos.

Apesar das desilusões com a política, do cansaço no final do dia, dos projectos que não foram adiante, da perda de alguém de quem se gostou, do tempo que nos falta e do medo que nos sobra.

Apesar da chuva que não permite o passeio de mãos dadas, do espaço compartilhado que não permite privacidade, da desaprovação dos que nada têm a ver com o assunto.

Apesar de tudo e todos e apesar de nós mesmos, continuamos amando, continuamos vivendo ...

The Show must go on!



Tuesday, July 13, 2004

Dia Frio
 



A quantidade de pessoas na sociedade é tão grande, que nós pura e simplesmente esquecemos que a vida acaba um dia. E nunca sabemos que dia será…

Hoje, de repente sem aviso prévio sem nada … partiu alguém especial - a Lina ... partiu uma AMIGA, uma Colega. A Lina foi alguém que sempre me acompanhou, me deu forças e me demonstrou ao longo destes anos a sua eficiência.

Ontem tive o privilégio de almoçar com ela, de lhe dar boleia, a última boleia...

Não quero dizer-lhe Adeus Lina, mas um Até Sempre.

Um beijo de Amor.



Monday, July 12, 2004



"Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.


Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.
"


Sophia de Mello Breyner



Thursday, July 08, 2004

CATIVA
 



Quando alguém vai embora, o dia, ainda que o sol brilhe e o céu esteja azul, fica cinzento, chuvoso, triste. Um frio constante reduz a temperatura do corpo, fazendo com que se fique encolhido e com o olhar perdido, como se tivessem apagado uma chama de dentro do coração.

Quando alguém vai embora, a alma leva um grande choque, então, a alma veste-se do mais sumptuoso negro, recolhendo-se, e ficando vazia e triste. Às vezes, os olhos, as mãos, a boca vazam essa tristeza; outras vezes, não há ânimo nem para isso. E assim, vestida de negro, a alma contempla a vida, esperando a hora de voltar a sorrir, ainda que o sorriso tenha um traço leve de tristeza – o traço deixado pelo alguém que foi embora.

Quando alguém vai embora, o tempo castiga quem ficou. O dia tem mais horas, os minutos mais segundos, e tudo é mais demorado e difícil.

Quando alguém vai embora, fica-se a pensar na conversa importante que não houve, na declaração que não foi feita, no carinho que se deixou para depois, no desabafo que não foi exteriorizado, no amor que ficou para ser sentido, no tempo que era para ser vivido juntos e cheio de tantas coisas, e agora... e tudo isso vai formando um nó que tapa a garganta, interrompe a respiração durante o sono, não deixa comer e provoca uma sensação de abandono que só poderia ser deixada por aquele alguém que foi embora, porque cada história é única.

Quando alguém vai embora, começa a fazer falta aquele olhar de carinho ou reprovação, aquela voz invadindo a casa, aquele jeito de falar e abraçar; no começo dá a impressão de que tudo isso ficará perdido em algum lugar inatingível. As datas especiais ficam doridas. Os códigos que só podem existir entre uma e outra pessoa que se gosta ficam sem sentido. A voz daquela pessoa soa em momentos inesperados, e o coração dói levemente.

Quando alguém vai embora, as dúvidas começam a rondar a cabeça, e a fé sofre um abatimento. Duvida-se da vida, da morte, de Deus, das pessoas, do amor. Assim como vêm, as dúvidas vão e voltam sem resposta, porque não há respostas. A verdade é que o mundo todo acaba quando alguém vai embora. E não dá a menor vontade de reconstruir nada.

É ao som desta música que afogo as minhas mágoas e medos...ao som desta música, a nossa música.

Por muito que tente é difícil. A distância não adianta, já que não vai ser por isso que vou esquecer mais ou mais rápido, isto só aumenta a dor e a mágoa que trago dentro de mim.

Trago-te preso em mim...corres-me nas veias, misturado com o meu sangue e isso dá-me vontade de “cortá-las” só para te ver escorrer para fora de mim, para nunca mais ter que te sentir como parte em mim. Deixar de te querer como quero.

Continuo à espera de uma notícia, à espera que desfaças as tuas voltas de 140, 160 graus; continuo a resistir enquanto tiver forças, continuo a amar-te como sempre amei, resistindo sozinha ás contrariedades, acreditando que tudo vai ficar claro ... E continuo à espera refugiando-me em Momentos…

Amo-te tanto!



Simples & Tão Complicado
 



Dizem que o Segredo da Felicidade está em viver plenamente as pequenas coisas com que os dias nos brindam, cultivar as amizades autênticas, contemplar a natureza, cumprir com o dever, ter um comportamento integro, Amar desinteressadamente, Amar genuinamente, Amar, Amar, Amar ... Que erro acreditar que podemos encontrá-la nos fenómenos extraordinários, nos lugares exóticos, na mudança social, no acumular riqueza, na mentira ...! Parece simples ...



Wednesday, July 07, 2004

Decisões
 



A eleição de Pedro Santana Lopes como presidente do PSD, na sequência da saída de Durão Barroso para Bruxelas, e a consequente crise política que se abriu a seguir, são os temas mais importantes de uma semana onde a política teve de disputar audiências com o campeonato de Europa de futebol.

Jorge Sampaio tem entre mãos uma decisão que ninguém consegue adivinhar. No entanto, é certo que o Presidente da República pode ser influenciável pelo provável futuro primeiro-ministro. Em Belém, espera-se que Santana Lopes apresente nomes credíveis para a formação de Governo e que este Executivo liderado por Santana Lopes possa continuar com a política delineada por Durão Barroso e Ferreira Leite.

Curiosamente, muitos dos que defendiam que o rumo político estava errado são agora os mesmos que defendem que ele deve manter-se inalterável. Seja como for, para o PSD e para o PP, é bom saber que existem alguns trunfos que podem ser jogados, e a apresentação de eventuais futuros ministros como António Borges, Mira Amaral ou Eduardo Catroga para suceder a Ferreira Leite são hipóteses que agradam a Sampaio, mas que podem não ser suficientes para convencer o Presidente da bondade do próximo Governo.

É que Sampaio, já se sabe, desconfia de Santana Lopes, mas preocupa-o a possibilidade de convocar eleições sem que daí saia uma maioria sólida que possa assegurar a estabilidade política necessária em alturas de transição de ciclo económico como a actual. O Presidente, mesmo sendo um socialista, está pessoalmente preocupado com a hipótese, tão provável como qualquer outra, de o PS de Ferro Rodrigues não ter maioria no Parlamento e convidar o PS ou o Bloco de Esquerda a formar uma coligação de Governo.

É principalmente por isso que o Presidente está tão hesitante, e escolheu ouvir as personalidades que têm visitado Belém nos últimos dias, e que ontem e hoje darão lugar aos partidos. Estes nada terão de novo a dizer, a não ser os possíveis nomes e, com a delegação que os social-democratas levam, tentar passar a mensagem de que todos os sectores do PSD, representados por cada uma das figuras de proa que lá vão, estão com o líder recentemente eleito num Conselho Nacional onde a tentativa de desresponsabilização feita por Durão Barroso pode sair-lhe pela culatra.

Ao dizer aos conselheiros que estava completamente convencido de que Sampaio não iria convocar eleições, o ex-presidente do partido provocou um atrito desnecessário, porque sabe que os jornalistas iriam ter conhecimento dessa sua frase, e que iriam, portanto, confrontar Belém com essa informação. Naturalmente, o Presidente respondeu, revoltado, que não há acordo nenhum, e que por isso não há qualquer decisão. Barroso joga com as palavras para se defender, dizendo que só aceitou sair porque Sampaio lhe terá transmitido a ideia de que a estabilidade estava assegurada. Ora, ao proteger-se, Barroso abre o flanco para a oposição, que assim o acusa de estar a pôr em causa Sampaio.

Seja como for, o Presidente está num impasse, com Belém completamente dividida sobre o que fazer nesta situação. Uma coisa é certa: os nomes que Santana apresentar podem ser o elemento que faltava para a decisão de Jorge Sampaio.




A Contar Espingardas
 



A solução de deixar o Executivo sob a forma de herança ao número dois do PSD, Pedro Santana Lopes, não é unânime para as várias facções do Partido, tão pouco para a Oposição.

Os anticorpos do autarca, rapidamente vieram ao de cima e geraram instabilidade (ainda mais e mais visível).

Cheio de sentimentos desencontrados, dividido entre a evidente influência do edil lisboeta no aparelho e as declarações recentes de vários pesos-pesados, o Partido fervilha.

Manuela Ferreira Leite, Pacheco Pereira, Marques Mendes, Silva Peneda, Miguel Cadilhe, entre outros, criticaram com dureza a ferida aberta pelo processo de passagem de testemunho. “Golpe de Estado no Partido”, “Curso Inexorável” e “Líder sem legitimidade política real” foram expressões utilizadas pelos três primeiros.

O pânico de perder o Governo para os socialistas, em caso de eleições antecipadas, tem levado um certo número de figuras a apoiar o futuro primeiro-ministro. Atitudes como esta acabarão por baralhar resultados quando chegar a altura de contar espingardas no conselho nacional de partido, embora eu não duvide que o apoio a Santana será esmagador.

Agora Jorge Sampaio tem a palavra mais importante desde que é Presidente. O gesto que tomar será aquele que o definirá na história dos seus mandatos. Chama-se “batata quente” – já que não há instabilidade maior em democracia do que a revolta dos cidadãos ante a irrelevância do seu voto.

Dr. Durão acredite que me desiludiu.



Sunday, July 04, 2004

SELVAGEM & LOUCA
 



Nos últimos dias fui caluniada de TUDO … TUDO mesmo.

Uma das calúnias, a mais soft, foi de maníaco-depressiva e louca.

De facto sou “louca”, louca não no sentido Patológico do termo, mas de facto tenho a minha loucura – assumo essa minha diferença – pensar sobre muitas coisas, acima de tudo pensar/reflectir na sociedade onde estou inserida – Portugal.

Escrevo o que sinto, publico o que penso sem medo. Afinal de que tenho medo? De falar sobre assuntos que me incomodam? De falar de assuntos que me preocupam?

Estes assuntos não os falo só aqui neste espaço, falo em qualquer espaço público dando a cara e o verdadeiro nome, sempre que encontro alguém disposto a “discuti-los”.

Com isto não significa que quero cantar Patriotismo, que quero afirmar-me como Patriota, nada disso; Para mim o Patriotismo está para além das bandeiras, para além do Hino Nacional. Para mim Patriotismo é acreditar no futuro do País que me acolhe; Patriotismo é levar-me a sentir “filha” do País que me acolhe e não me sentir quase todos os dias, uma verdadeira deportada no País onde pura e simplesmente nasci.

Cá em Portugal, foi preciso acolhermos um campeonato europeu de futebol para irromper um surto de repentino patriotismo. Vêem-se bandeiras da república por toda a parte, num assinalável esforço, talvez um tanto provinciano.

É certo que o futebol é um dos maiores fenómenos mundiais de cultura de massas. Estimula práticas sociais que respondem a impulsos ancestrais, profundamente enraizados no inconsciente colectivo.

Reforçado por uma poderosíssima máquina comercial, poderá ter o condão de modificar a visão do mundo de um povo?

Tudo isto parece um sonho pacífico em que um povo deprimido entrou para aliviar as suas mágoas.

Será que subitamente despertámos o fervor patriótico para nos unirmos em defesa de um Portugal melhor?

Ou, não será tudo isto, uma fantástica manobra de manipulação da opinião pública, anestesiando o povo para as desastrosas consequências dos governos do Estado e de algumas Autarquias?

Ou será que não passa afinal de uma banal manobra de oportunismo político para, a reboque da simpática sugestão de um jovem apadrinhada pelo professor Marcelo na TVI, agradar ao povo, passando a ideia que se defendem os interesses da pátria, quando, ao mesmo tempo, para aquilo que é essencial e que verdadeiramente alicerça o prestígio e a qualidade de vida de uma nação – como a cultura, a educação, a saúde e o trabalho - se faz vista grossa e ouvidos de mercador?

Não me vou deter mais nestas considerações de treta, vou limitar-me a ponderar os dados da vertiginosa sucessão de informações, contra-informações, meias-informações e desinformações com que este País foi confrontado.

Também não vou discutir os méritos da designação do Dr. Durão Barroso para presidente da Comissão Europeia, apenas quero reflectir sobre a situação atípica – um primeiro-ministro designado há dois anos, após cinco anos de oposição, vai-se embora, alegando que é para o bem do País e assume-se como Presidente da CE.

Cheira-me a “flope” mediático, cheira-me a sacanagem, cheira-me a “golpe de mão” político-institucional, cheira-me a falta de coragem, cheira-me a virar as costas porque não sabe o que fazer à situação político económica do País.

Sabem como me sinto? DEFRAUDADA, ENGANADA, DESILUDIDA

Depois quem lê ou ouve certas opiniões sobre a ida do Dr. Durão Barroso para a Presidência da Comissão Europeia, fica com a sensação de que com a assunção do cargo por parte de um português, se vai resolver os problemas do País. Treta, treta … o Dr. Durão não só vai para Bruxelas com um país cheio de problemas, como, deixando-o, ajuda ao agravamento desses problemas.

Pois é, por estes dias, alguns bonzos da nossa praça convencionaram que a liderança da CE é boa para o país, só que ainda ninguém explicou em que é que isso nos beneficia.

Deixemo-nos de passes de prestidigitação: o cargo que Durão aceitou, traz sobretudo prestígio ao próprio, se cumprir bem o seu papel, se não o abandonar também, porque a Portugal … a Portugal o que lhe confere prestígio é o desenvolvimento, as performances no crescimento económico, no bem-estar dos cidadãos, os nossos índices de desenvolvimento humano, a capacidade que tivermos em desenvolver a nossa cultura. Tudo isso é que nos fará ter uma voz respeitada na Europa.

Que fique bem claro que Durão enquanto Presidente da CE, vai propor medidas para o desenvolvimento das políticas comunitárias e velar pela aplicação dos Tratados e das decisões tomadas pela Comunidade.

Durão Barroso não dependerá em NADA das autoridades portuguesas e tem de tratar o seu País de origem em rigoroso pé de igualdade com qualquer outro dos 25.

Uma coisa é certa, quem quer que venha a ser o sucessor de Durão, vai ter que usar de grande capacidade de liderança e de inteligência, já que vai herdar um Governo e um País diminuído na sua legitimidade democrática.

Duvido que Portugal, aceite por muito tempo como “uma honra”, um então P.M como Presidente da CE, já que no outro prato da balança deve ser tida em conta a crise político-económica profundíssima em que o País está mergulhado.

Vou continuar a observar se, após o Euro 2004, as bandeiras continuam, como na Suécia, dia após dia, desfraldadas ao vento, traduzindo esse patriotismo, materializado numa atitude de rigor no trabalho, exigência nas relações sociais e empenhamento solidário na construção de um Portugal melhor.

Se assim for, ficarei convencida de que, um dia, venceremos o nosso Fado!

Sou mesmo muita louca e Viva a Selecção ……….



Saturday, July 03, 2004

Eu Mar
 



Hoje estive com Ele … o Mar;

O Mar falou-me das suas grandezas, dos impérios que o fomentam, das cidades que o habitam, das forças que o agitam.

Eu falei-lhe … do meu pensamento, do meu tormento … enfim falei-lhe de mim! E ele, ele hoje sentiu-se pequeno ...



Friday, July 02, 2004

Crying Rose
 



Decidi acabar com o "M", eliminá-lo.

Como me sinto? Vazia, simplesmente vazia. Perdi o que eu imaginava ser um "refúgio"; Apaguei os dias amargos, mas também os dias de uma felicidae extrema; Apaguei os dias bem humurados ... parece que apaguei uma parte da minha vida.

Recomeçar ... há sempre o recomeçar, mas estou cansada de recomeçar tudo de novo, o meu lema é sempre RECOMEÇAR/AJUSTAR VELAS ... estou cansada.

Por norma sou persistente, vou procurar vê-lo também como uma parte de mim ...



ICE
 



GELO ... ESTOU UM GELO.



MEDO
 



Tenho MEDO ... sinto que estou constantemente a ser vigiada no "outro lado", não consigo deixar de pensar que alguém me quer destruir. Gostaria de ter a certeza de quem possa ser, mas também não gostaria de enfrentar essa pessoa, acho que lhe podia fazer fisicamente muito mal...

Tenho de resolver a questão sem me criar qualquer tipo de mal estar. Gostaria de apagar definitivamente o "M" do blogger, mas imagino que daria a essa pessoa a imagem de fraca; Por outro lado o "M" representa muito para mim, seria como "matar" quem amo se o eliminasse do Blogger;

O que é que eu faço????????????????????????????????????????

Talvez retirar o espaço para os comentários ?!

Vou refletir melhor ...



Thursday, July 01, 2004

LOVERS
 



It's amazing how you
Can speak right to my heart
Without saying a word
You can light up the dark


Try as I may I could never explain
What I hear when you don't say a thing


The smile on your face
Let's me know that you need me
There's a truth in your eyes
Saying you'll never leave me
A touch of your hand
Says you'll catch me if ever I fall


Yeah, you say it best
When you say nothing at all


All day long I can hear
People talking out loud
But when you hold me near
You drown out the crowd


Old Mr. Webster could never define
What's being said between your heart and mine


The smile on your face
Lets me know that you need me
There's a truth in you eyes
Saying you'll never leave me
A touch of your hand
Says you'll catch me
If ever I fall


Yeah, you say it best
When you say nothing at all


The smile on your face
Lets me know that you need me
There's a truth in your eyes
Saying you'll never leave me


A touch of your hand says you'll catch me
If ever I fall
Yeah, you say it best
When you say nothing at all




Anonimato
 



Os comentários valem sempre o que valem, mas a comentar que se não faça no anonimato; Tudo vira escândalo ... até os que pretendem dar apoio com excesso de lustro acabam por se tornar ridículos, depois há as agressões verbais ... enfim o que dá o anonimato, as más formações ... CANSAÇO E TRISTEZA.

Acabei com um espaço que para mim tinha um lugar muito especial. Era alí que eu "desabafava".

Mesmo assim continuo a ser "perseguida", vejo que quem iniciou esta guerra continua online quase sempre, que falta de paciência ...

Agora sei que não o deveria tornar público, mas continuo a não aprender com as lições que a vida me dá; Sou ingénua e Burra ....enfim um dia irei aprender, será que vou?!

Vamos ver o que acontece com este agora!



Continuamos Distraídos
 



A Selecção Portuguesa conquistou ontem mais uma vitória. Incrivelmente ontem não senti muita emoção, ao contrário da maioria que esfusiantemente não deram conta do custo do combustível e lá andaram ás voltas pela cidade.

Não estou contra esta movimentação, tenho pena que apenas o Futebol consiga movimentar as massas, essa é a minha tortura.

Já o disse, para a classe política vem mesmo a calhar esta distracção. Segunda-Feira ainda haverá o rescaldo do Euro ... mas nos dias que se seguirão vamos olhar para os ecrãns e vamos arregalar os olhos e dizer: "Nunca tinha reparado que o Primeiro Ministro é parecidíssimo com o Presidente da Câmara de Lisboa"!!!!

E depois .... depois vêm os lamentos ...



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