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Thursday, July 08, 2004

CATIVA
 



Quando alguém vai embora, o dia, ainda que o sol brilhe e o céu esteja azul, fica cinzento, chuvoso, triste. Um frio constante reduz a temperatura do corpo, fazendo com que se fique encolhido e com o olhar perdido, como se tivessem apagado uma chama de dentro do coração.

Quando alguém vai embora, a alma leva um grande choque, então, a alma veste-se do mais sumptuoso negro, recolhendo-se, e ficando vazia e triste. Às vezes, os olhos, as mãos, a boca vazam essa tristeza; outras vezes, não há ânimo nem para isso. E assim, vestida de negro, a alma contempla a vida, esperando a hora de voltar a sorrir, ainda que o sorriso tenha um traço leve de tristeza – o traço deixado pelo alguém que foi embora.

Quando alguém vai embora, o tempo castiga quem ficou. O dia tem mais horas, os minutos mais segundos, e tudo é mais demorado e difícil.

Quando alguém vai embora, fica-se a pensar na conversa importante que não houve, na declaração que não foi feita, no carinho que se deixou para depois, no desabafo que não foi exteriorizado, no amor que ficou para ser sentido, no tempo que era para ser vivido juntos e cheio de tantas coisas, e agora... e tudo isso vai formando um nó que tapa a garganta, interrompe a respiração durante o sono, não deixa comer e provoca uma sensação de abandono que só poderia ser deixada por aquele alguém que foi embora, porque cada história é única.

Quando alguém vai embora, começa a fazer falta aquele olhar de carinho ou reprovação, aquela voz invadindo a casa, aquele jeito de falar e abraçar; no começo dá a impressão de que tudo isso ficará perdido em algum lugar inatingível. As datas especiais ficam doridas. Os códigos que só podem existir entre uma e outra pessoa que se gosta ficam sem sentido. A voz daquela pessoa soa em momentos inesperados, e o coração dói levemente.

Quando alguém vai embora, as dúvidas começam a rondar a cabeça, e a fé sofre um abatimento. Duvida-se da vida, da morte, de Deus, das pessoas, do amor. Assim como vêm, as dúvidas vão e voltam sem resposta, porque não há respostas. A verdade é que o mundo todo acaba quando alguém vai embora. E não dá a menor vontade de reconstruir nada.

É ao som desta música que afogo as minhas mágoas e medos...ao som desta música, a nossa música.

Por muito que tente é difícil. A distância não adianta, já que não vai ser por isso que vou esquecer mais ou mais rápido, isto só aumenta a dor e a mágoa que trago dentro de mim.

Trago-te preso em mim...corres-me nas veias, misturado com o meu sangue e isso dá-me vontade de “cortá-las” só para te ver escorrer para fora de mim, para nunca mais ter que te sentir como parte em mim. Deixar de te querer como quero.

Continuo à espera de uma notícia, à espera que desfaças as tuas voltas de 140, 160 graus; continuo a resistir enquanto tiver forças, continuo a amar-te como sempre amei, resistindo sozinha ás contrariedades, acreditando que tudo vai ficar claro ... E continuo à espera refugiando-me em Momentos…

Amo-te tanto!



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