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Wednesday, July 07, 2004

Decisões
 



A eleição de Pedro Santana Lopes como presidente do PSD, na sequência da saída de Durão Barroso para Bruxelas, e a consequente crise política que se abriu a seguir, são os temas mais importantes de uma semana onde a política teve de disputar audiências com o campeonato de Europa de futebol.

Jorge Sampaio tem entre mãos uma decisão que ninguém consegue adivinhar. No entanto, é certo que o Presidente da República pode ser influenciável pelo provável futuro primeiro-ministro. Em Belém, espera-se que Santana Lopes apresente nomes credíveis para a formação de Governo e que este Executivo liderado por Santana Lopes possa continuar com a política delineada por Durão Barroso e Ferreira Leite.

Curiosamente, muitos dos que defendiam que o rumo político estava errado são agora os mesmos que defendem que ele deve manter-se inalterável. Seja como for, para o PSD e para o PP, é bom saber que existem alguns trunfos que podem ser jogados, e a apresentação de eventuais futuros ministros como António Borges, Mira Amaral ou Eduardo Catroga para suceder a Ferreira Leite são hipóteses que agradam a Sampaio, mas que podem não ser suficientes para convencer o Presidente da bondade do próximo Governo.

É que Sampaio, já se sabe, desconfia de Santana Lopes, mas preocupa-o a possibilidade de convocar eleições sem que daí saia uma maioria sólida que possa assegurar a estabilidade política necessária em alturas de transição de ciclo económico como a actual. O Presidente, mesmo sendo um socialista, está pessoalmente preocupado com a hipótese, tão provável como qualquer outra, de o PS de Ferro Rodrigues não ter maioria no Parlamento e convidar o PS ou o Bloco de Esquerda a formar uma coligação de Governo.

É principalmente por isso que o Presidente está tão hesitante, e escolheu ouvir as personalidades que têm visitado Belém nos últimos dias, e que ontem e hoje darão lugar aos partidos. Estes nada terão de novo a dizer, a não ser os possíveis nomes e, com a delegação que os social-democratas levam, tentar passar a mensagem de que todos os sectores do PSD, representados por cada uma das figuras de proa que lá vão, estão com o líder recentemente eleito num Conselho Nacional onde a tentativa de desresponsabilização feita por Durão Barroso pode sair-lhe pela culatra.

Ao dizer aos conselheiros que estava completamente convencido de que Sampaio não iria convocar eleições, o ex-presidente do partido provocou um atrito desnecessário, porque sabe que os jornalistas iriam ter conhecimento dessa sua frase, e que iriam, portanto, confrontar Belém com essa informação. Naturalmente, o Presidente respondeu, revoltado, que não há acordo nenhum, e que por isso não há qualquer decisão. Barroso joga com as palavras para se defender, dizendo que só aceitou sair porque Sampaio lhe terá transmitido a ideia de que a estabilidade estava assegurada. Ora, ao proteger-se, Barroso abre o flanco para a oposição, que assim o acusa de estar a pôr em causa Sampaio.

Seja como for, o Presidente está num impasse, com Belém completamente dividida sobre o que fazer nesta situação. Uma coisa é certa: os nomes que Santana apresentar podem ser o elemento que faltava para a decisão de Jorge Sampaio.




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