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Thursday, July 22, 2004



Em quase um mês … quanta mudança!   Durante algum tempo os portugueses andaram mascarados de bandeira nacional.

 O Partido socialista tinha acabado de vencer as eleições europeias, com um diferencial imprevisível sobre a direita (pelas minhas contas, foi mesmo Paulo Portas com a magra percentagem do CDS/PP, quem terá permitido a Durão maquilhar a derrota política que, de facto, colocou o PSD alguns pontos abaixo da barreira psicológica dos 30%).
 
 Neste último mês, ou pouco menos, quantos acontecimentos … parece que TODO o UNIVERSO conspirou, contra mim e contra tantos outros.   A nível pessoal uma lástima, factos(?!) e factos (?!); a nível socio-político a coisa também não esteve nem está famosa. Senão vejamos:  
 
O primeiro-ministro pôs-se ao fresco para Bruxelas, aproveitando o que a imprensa internacional chamou de um “mínimo denominador comum”; o País traumatizou-se com a “desgrécia” ao perder o Euro 2004; o Presidente da República encenou um enorme tabu à volta da “solução da crise política” – já estou habituada, na vida há quem seja verdadeiro actor de cinema, e a gente acredita – para entregar depois o Governo a um líder político que não se apresentou nessas condições ao eleitorado e o Ferro Rodrigues, vencedor das eleições europeias, demitiu-se da direcção do partido socialista.  
 
Imaginem toda esta situação para quem esteve fora do País?! Se se demorassem mais … haveriam de precisar de um visto para entrar no próprio País.  
 
Brincadeiras à parte, Portugal e a sua imagem mudaram como nunca haviam mudado desde o 25 de Abril. Nessa altura, os mais velhos sentiram – eu não tinha ainda na altura consciência social e política – que o País poderia finalmente caminhar à frente dos sujeitos e das vontades individuais que o constituem. Essa sensação de velocidade e deslizamento, de determinação da história pela acção imparável da força colectiva, foi a principal marca que 1974 deixou na nossa história mental.  
 
Assim fomos aprendendo, como a democracia é a constituição da preservação dessa força, que aparece sempre que a deixam aparecer: Guterres sucumbiu em Dezembro de 2001 e Durão e o seu Governo dois anos mais tarde, pouco mais que isso.  
 
Por isso continuo a achar que a decisão de Sampaio e a recusa do PSD em disputar eleições surgem marcadas pelo signo de “inexplicável suspeita de resistência”.  
 
O P.R. não é um técnico constitucional, é um actor político que dispõe da confiança dos portugueses para interpretar, constitucionalmente, o estado da democracia.   Num País que esteva à beira de um duplo referendo sobre o aborto, uma economia eleitoral nas actuais condições políticas, para além de estar-mos em colapso nacional, tem um sentido muito diferente da apregoada “defesa constitucional”.   Trinta anos depois de 1974, o mundo político volta a fechar-se sobre si próprio: nos negócios das secretarias, nos compromissos secretos, nos erros de casting, no autismo jurídico e tecnocrata.
 
Eu desafiei o Universo, o Universo CONSPIROU …. E eu apanhei por “tabela”, a verdade é que todos apanhámos … ano bissexto?! 
 



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