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Wednesday, July 21, 2004



Instalou-se em mim, uma desilusão tão grande! eu que me considero persistente, por vezes chego a duvidar … é que a resistência é tão forte, que me chegam a faltar as forças.

Quando é que vou poder aceitar a Hipocrisia das Pessoas?
Quando é que vou poder aceitar a Mentira?
Quando é que vou poder aceitar este Circo de Vida?
Quando é que vou poder aceitar a Inveja?
Quando é que eu me vou poder levantar, sem este peso em mim?
Quando é que vou deixar de andar a gravitar neste Mundo de Faz de Conta?

Não vale a pena pensar se vale ou não a pena escrever sobre o que sinto. Afinal de contas, mesmo quando o trabalho que se tem a descrever o que se sente se torna irrelevante face às implicações de o fazer, o facto de se ter feito vale a pena, demonstra algum propósito.

Não creio no entanto, que exista o escrever só por escrever, pois não se consegue higienizar um acto da carga subjectiva do actor: o que há é o escrever por vontade. Escrever é agir, pode-se é indagar se valerá a pena agir dessa forma num planeta onde a escrita é também ruído e repressão.

Estou cansada, mas começo a acreditar que o problema é meu, os Outros reagem de forma diferente, acho que reagem bem, enquanto eu já tenho alguma dificuldade em digerir as situações de uma forma saudável, ou simpática, ou mesmo de uma forma … Normal, aceitando pura e simplesmente …

Quando era criança, fantasiava a vida de adulta de uma outra forma, como se o difícil fosse ser criança, como se tudo melhorasse depois de completar os famosos 18 anos.
Depois os 18 anos eram já irrelevantes… Depois, era a certeza que tudo iria ser fantástico depois de acabar o curso… Depois, quando tivesse emprego e fosse financeiramente independente é que seria viver … Depois era quando tivesse a minha família, Depois … Depois … Depois …. E Depois sempre o Depois …

Estou cansada demais para continuar a fazer de estátua!

Desenhem depressa e em traços bem largos a cor dos meus olhos, desenhem depressa o gesto do meu corpo, desenhem depressa o movimento da minha boca, por cada monossílabo que ainda vou dizendo, desenhem bem devagar o bater do meu coração, porque ele já não bate ritmado e enérgico. O meu coração já não é emoção … 

Eu quero muito sentir que o que digo hoje, só vale mesmo porque o hoje é hoje!

Nada do que diga ou escreva tem qualquer valor … sou eu que declaro inúteis as minhas palavras, as minhas emoções, o meu sentir.

Não quero voltar à superfície deste ar corrosivo, e quero viver sem ambição alguma.

Quero passar a utilizar as vírgulas onde dê mais jeito e não onde as deva utilizar. Eu não quero ser correcta, não quero ser lembrada por mais do que a minha forma de andar, de vestir, de olhar, de falar …

Não quero ser o Outro de quem se espera uma ideia, porque as minhas ideias sempre foram erradas e errantes e se alguém viu ou ouviu uma ideia minha é porque a perdi e as ideias perdidas não têm dono, nem podem ser achadas nem devolvidas.

Não quero ser o Outro de quem se espera sempre a Força, porque eu já não tenho força…
Não quero ser o outro, de quem se espera sempre um grande Sorriso, porque eu já nem sorrio…
Não quero ser o Outro de quem se espera uma palavra de conforto, porque eu já não tenho palavras…
Não quero ser o Outro de quem se espera sempre uma atitude correcta, porque eu já não sei o que é o correcto …
Não quero ser o Outro que tem sempre tempo, porque eu não tenho Tempo …

Estou cansada de morrer para os sonhos, de pintar as mesmas fantasias, de limpar a alma “suja”, de aceitar a injustiça, de obedecer ao destino, de tirar tantas pedras do caminho, de plantar as mesmas esperanças, de enganar as retinas, de viajar nos desejos presos, de amparar a mesma tristeza, de não entender esta difícil tarefa de viver, estou cansada de seguir em frente.

 Estou cansada de tudo. Estou cansada de mim…de acalentar esta revolta, na esperança que amanhã é outra vez amanhã …mas eu não quero escrever sobre o que sinto! E não sei quando o voltarei a fazer … Por isso desenhem-me rápido, rápido porque eu só tenho o AGORA.



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