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Wednesday, July 21, 2004



A maior parte dos portugueses que elegeram Jorge Sampaio, sentiram-se recentemente como alguém que compra um carro em segunda mão e passado algum tempo vissem confirmados os seus piores receios – o de que foram LEVADOS.
 
De facto os eleitores portugueses, não são suficientemente pós-modernos (a não ser os que já nem se dão ao trabalho de ir votar) para terem posto completamente de parte, apesar das dúvidas que lhes possam suscitar, conceitos como os de “esquerda” e “direita”. Senão porque raio haveriam de ter votado Sampaio? Por ser do Sporting? Por tocar piano? Por falar francês?
 
Sampaio não se apresentou aos portugueses dizendo: “Votem em mim que tenho uns lindos olhos”. Invocou, isso sim ideias e valores e foi em nome dessas ideias e valores que foi eleito. Por isso não pode agora iludir esse compromisso político e moral fundamental escondendo-se atrás do chavão: “Presidente do todos os Portugueses”.
 
Também os governos são “governos de todos os portugueses”, os que votam e os que não votam., e nem por isso deixam de governar a favor de uns e contra outros.
 
Porque raio têm os políticos como Sampaio tanto medo (depois de eleitos) da “instabilidade” de eleições, preferindo “coisas" como a de um Governo Sampaio/Santana/Portas/Cinha Jardim?
 
Porque ouviu Sampaio tantos “ilustres” – presidentes, banqueiros, juristas blá, blá, blá ao longo de vários dias e não achou necessário ouvir por exemplo os portugueses, ou pelo menos quem se sente verdadeiramente português?!
 
Talvez alguém, deveria ter lembrado a Sampaio o famoso diálogo de Xenofonte: “Achas que é possível saber o que é a democracia sem saber o que é o demos? – Por Zeus, que não! – E sabes o que é demos? – Claro que sei. – Então o que é o demos? – Para mim, são os pobres, dentre os cidadãos”…
 
Daí que tanta gente hoje esteja decepcionada. Não só com Sampaio, mas com o próprio processo democrático. Porque nos negócios da política não é possível, quando um eleito não cumpre o contrato político feito com os eleitores, devolvê-lo dizendo: “Não foi isto que comprei, quero o meu voto de volta”,a factura tem que ser paga até ao fim. Só em próximas eleições é que se protesta, comprando de novo e arriscando porque tudo volta a repetir-se.
 
Por isso é que a “loja” tem cada vez menos clientes.
 
Eu portuguesa?! Nã assim não.



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