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Sunday, July 04, 2004

SELVAGEM & LOUCA
 



Nos últimos dias fui caluniada de TUDO … TUDO mesmo.

Uma das calúnias, a mais soft, foi de maníaco-depressiva e louca.

De facto sou “louca”, louca não no sentido Patológico do termo, mas de facto tenho a minha loucura – assumo essa minha diferença – pensar sobre muitas coisas, acima de tudo pensar/reflectir na sociedade onde estou inserida – Portugal.

Escrevo o que sinto, publico o que penso sem medo. Afinal de que tenho medo? De falar sobre assuntos que me incomodam? De falar de assuntos que me preocupam?

Estes assuntos não os falo só aqui neste espaço, falo em qualquer espaço público dando a cara e o verdadeiro nome, sempre que encontro alguém disposto a “discuti-los”.

Com isto não significa que quero cantar Patriotismo, que quero afirmar-me como Patriota, nada disso; Para mim o Patriotismo está para além das bandeiras, para além do Hino Nacional. Para mim Patriotismo é acreditar no futuro do País que me acolhe; Patriotismo é levar-me a sentir “filha” do País que me acolhe e não me sentir quase todos os dias, uma verdadeira deportada no País onde pura e simplesmente nasci.

Cá em Portugal, foi preciso acolhermos um campeonato europeu de futebol para irromper um surto de repentino patriotismo. Vêem-se bandeiras da república por toda a parte, num assinalável esforço, talvez um tanto provinciano.

É certo que o futebol é um dos maiores fenómenos mundiais de cultura de massas. Estimula práticas sociais que respondem a impulsos ancestrais, profundamente enraizados no inconsciente colectivo.

Reforçado por uma poderosíssima máquina comercial, poderá ter o condão de modificar a visão do mundo de um povo?

Tudo isto parece um sonho pacífico em que um povo deprimido entrou para aliviar as suas mágoas.

Será que subitamente despertámos o fervor patriótico para nos unirmos em defesa de um Portugal melhor?

Ou, não será tudo isto, uma fantástica manobra de manipulação da opinião pública, anestesiando o povo para as desastrosas consequências dos governos do Estado e de algumas Autarquias?

Ou será que não passa afinal de uma banal manobra de oportunismo político para, a reboque da simpática sugestão de um jovem apadrinhada pelo professor Marcelo na TVI, agradar ao povo, passando a ideia que se defendem os interesses da pátria, quando, ao mesmo tempo, para aquilo que é essencial e que verdadeiramente alicerça o prestígio e a qualidade de vida de uma nação – como a cultura, a educação, a saúde e o trabalho - se faz vista grossa e ouvidos de mercador?

Não me vou deter mais nestas considerações de treta, vou limitar-me a ponderar os dados da vertiginosa sucessão de informações, contra-informações, meias-informações e desinformações com que este País foi confrontado.

Também não vou discutir os méritos da designação do Dr. Durão Barroso para presidente da Comissão Europeia, apenas quero reflectir sobre a situação atípica – um primeiro-ministro designado há dois anos, após cinco anos de oposição, vai-se embora, alegando que é para o bem do País e assume-se como Presidente da CE.

Cheira-me a “flope” mediático, cheira-me a sacanagem, cheira-me a “golpe de mão” político-institucional, cheira-me a falta de coragem, cheira-me a virar as costas porque não sabe o que fazer à situação político económica do País.

Sabem como me sinto? DEFRAUDADA, ENGANADA, DESILUDIDA

Depois quem lê ou ouve certas opiniões sobre a ida do Dr. Durão Barroso para a Presidência da Comissão Europeia, fica com a sensação de que com a assunção do cargo por parte de um português, se vai resolver os problemas do País. Treta, treta … o Dr. Durão não só vai para Bruxelas com um país cheio de problemas, como, deixando-o, ajuda ao agravamento desses problemas.

Pois é, por estes dias, alguns bonzos da nossa praça convencionaram que a liderança da CE é boa para o país, só que ainda ninguém explicou em que é que isso nos beneficia.

Deixemo-nos de passes de prestidigitação: o cargo que Durão aceitou, traz sobretudo prestígio ao próprio, se cumprir bem o seu papel, se não o abandonar também, porque a Portugal … a Portugal o que lhe confere prestígio é o desenvolvimento, as performances no crescimento económico, no bem-estar dos cidadãos, os nossos índices de desenvolvimento humano, a capacidade que tivermos em desenvolver a nossa cultura. Tudo isso é que nos fará ter uma voz respeitada na Europa.

Que fique bem claro que Durão enquanto Presidente da CE, vai propor medidas para o desenvolvimento das políticas comunitárias e velar pela aplicação dos Tratados e das decisões tomadas pela Comunidade.

Durão Barroso não dependerá em NADA das autoridades portuguesas e tem de tratar o seu País de origem em rigoroso pé de igualdade com qualquer outro dos 25.

Uma coisa é certa, quem quer que venha a ser o sucessor de Durão, vai ter que usar de grande capacidade de liderança e de inteligência, já que vai herdar um Governo e um País diminuído na sua legitimidade democrática.

Duvido que Portugal, aceite por muito tempo como “uma honra”, um então P.M como Presidente da CE, já que no outro prato da balança deve ser tida em conta a crise político-económica profundíssima em que o País está mergulhado.

Vou continuar a observar se, após o Euro 2004, as bandeiras continuam, como na Suécia, dia após dia, desfraldadas ao vento, traduzindo esse patriotismo, materializado numa atitude de rigor no trabalho, exigência nas relações sociais e empenhamento solidário na construção de um Portugal melhor.

Se assim for, ficarei convencida de que, um dia, venceremos o nosso Fado!

Sou mesmo muita louca e Viva a Selecção ……….



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