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Saturday, July 31, 2004



Um dia, quem sabe, ele vai olhar os olhos dela e ver que estão calados.

Ela vai ficar sem assunto, vai querer ser delicada com a loucura dele, ele vai deixar que ela entenda errado a loucura dele, até confirmar nos olhos mudos dela o que a sua boca não falou.

Nessa altura ele vai “chorar”. Vai “chorar” o amor deles que morreu à míngua. Ele vai “chorar” sozinho no silêncio dela. O silêncio da indiferença. Que mata feito veneno de cobra, à traição.

Um dia vão tomar rumos desiguais, vão perder-se de vista e vão sobreviver. Ele vai guardar-se no apego da lembrança dela, até perder a esperança dela, até não duvidar mais do fim deles os dois.

Mas ela não vai ser a mesma depois dele, vai ser mais desconfiada, mais astuta. Ele também vai ser diferente, vai distrair-se em outros corpos, vai coleccionar outros casos, vai passar o tempo, quem sabe lembrar-se dela de vez em quando, vai delirar com outras paixões, vai fazer outras promessas de amor, vai responder com um sorriso duvidoso, porque nem é sorriso de verdade. É sorriso triste. O sorriso da ironia, das coisas fingidas.

Um dia, quem sabe, ele vai lembrar-se dela com mais necessidade dela … pode ser que seja de manhã, ao acordar, pouco depois do almoço, mais provável à noitinha, se duvidar, vai ser de madrugada, quando ele começar a ouvir o silêncio que ficou no lugar dela.
Silêncio comprido, aquela coisa sem fim, irremediável. O silêncio do agora é tarde. Agora é nunca mais.



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