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Tuesday, August 31, 2004



Estou ausente … ausente de mim, a mente está parada … nada é suficiente, nada!

Há medida que os ponteiros vão andando, sinto-me ainda mais surda neste fim de dia alucinado…

Como me sinto?! Nem eu sei, ou melhor, sei … sinto-me invariavelmente sufocada, desencantada, cansada, desiludida … mas hoje tento esquecer o que me procuraram “vender” um dia - grande CANALHA - e hoje volto a escrever, assim desta maneira …

As palavras, as minhas palavras hoje são de facto vermelhas, são SANGUE vivo, no entanto não suplantam o meu pranto, hoje são sem nexo… sem noção e sem perdão…

Que importa os meus gritos? Que importa os meus lamentos? Não são ouvidos entre tantos outros lamentos … Que importa?! Que importa EU?!

E neste meu suplicar, quero acabar com a minha intolerância, indagações, alucinações … Mas não me contento e com isso continuo a gritar …

A janela está fechada … Encosto os meus dedos à janela, para do outro lado apenas poder tocar, ou simplesmente imaginar que ali entre os meus dedos posso desfrutar dos meus segredos…

Encosto os olhos à janela … para desejar, sonhar que posso tocar, ver, … e ... encosto as lágrimas à janela, para poder sentir, para poder lembrar que hoje estou a chorar!

Desta janela vejo outras janelas … outras casas, outras gentes, que tal como eu vão à janela antes que a noite caia; vejo cães abandonados, carros estacionados, alguém que me diz Adeus e longe, bem longe … vejo um reflexo, o meu reflexo debruçado na janela à espera que a noite caia…

Nem eu sei porque me sinto assim em direcção a um sentido sem rumo escolhido, em direcção a um sistema “Perfeito” Causa /Efeito... Mas que Importa? Que importa EU?!

Hoje estou ausente de mim …a mente está parada … nada é suficiente NADA!





Eu não sou, em condições normais de temperatura e pressão, alguém de quem poderíamos dizer "ela detesta parecer ridícula" porque não me incomoda muito tropeçar, dizer um disparate, sair a correr pela rua rindo, cantar alto ou ver filmes idiotas, enfim, essas coisas que se faz (voluntariamente ou não) quando se tem no máximo 14 anos.

Então é isso, pelo menos por hoje que o lado critico, sensato, ponderado, cool, fique do lado de fora, porque hoje é o dia em que me apetece cantar e dançar e o máximo de concessão que farei a mim própria é que não vestirei o cenário habitual de um dia normal de trabalho (se bem que…)



Sunday, August 29, 2004



Naquele instante…instantâneo, transparente, lúcido … ocorrem todas as ideias, todas as artes abstractas, todas as vozes … todas as desgraças …

Instantâneo aquele momento presente, que deixando de ser momento, torna-se eternidade …

Aumenta a pressão … pressionando … a hesitação, aumenta a dor repleta de felicidade, a confissão confessada …

Passagem ….

Alma desencarnada … renasce noutra paragem … de um azul vivo … infindável. Pois sou só eu, Eu Mar…




Thursday, August 26, 2004



No rosto ainda vermelho sinto o desejo, a fome de gerar vida … mesmo sem querer, mesmo sem poder; Por uns breves momentos de prazer, na ânsia de alcançar o destino, contaminar as mãos de amor carnal, agarrar com as minhas mãos feias, gigantes, querendo tudo de uma só vez.

No rosto ainda vermelho, sinto a razão a tentar transparecer, mas irracionalmente, ordenando antes de pensar – errando! Pecando sem maldade, uivando de prazer, imaginando o que fiz e o que sou capaz de fazer … esteja certa ou esteja errada … não me importa.

O importante é o momento em que devoro esta presa, a lógica, abandonando em lágrimas esta maldita vítima … ficando então bem claro, o que de mais transparente pode existir … o Amor.

O AMAR verdadeiro é aquele em todas as conjugações... ...em qualquer tempo... ...mas em todos os tempos: Na alegria do presente do indicativo...EU AMO. Na mentira do pretérito imperfeito...EU AMAVA. Na saudade do pretérito perfeito...EU AMEI. Na dor do pretérito mais-que-perfeito...EU AMARA. Na esperança do futuro do presente...EU AMAREI. Na hipocrisia do futuro do pretérito...EU AMARIA. No modo conjuntivo só no tempo presente...QUE EU AME...sempre, porque o importante é AMAR.

E assim que eu esteja sempre no gerúndio...AMANDO.



Wednesday, August 25, 2004



Sempre procurei mostrar-te o que sentia por ti. Saíam-me frases soltas, ainda assim não demonstravam totalmente o que sentia. Então, procurei dividir os meus desejos... dei-te o que te faltava e tu nem o que te sobrava me deste…

No amor, todas as contradições da vida se dissolvem e desaparecem. No amor existe unidade e dualidade sem conflito. De que vale o delírio dos olhos se eles se fecham quando os lábios se tocam?! Na vida há coisas simples e importantes... Simples como eu e importantes como eu imaginei que tu eras...

Quando tiveres a certeza que me perdeste, quero que olhes as estrela e nelas veja o quanto eu te amei. Sabes, ao teu lado descobri que entre o sonho e a realidade, existia um espaço chamado felicidade, e para que a minha felicidade se tornasse realidade, precisei da VERDADE, da HONESTEDADE …

Se a tua vida, dependesse do amor que senti por ti, viverias além da vida, pois amei-te além do amor.

Não quis ser na tua vida o início de um fim nem o fim de um começo, quis ser o início de um começo sem fim, que logo acabou...

Todos os sentimentos cansam e "desistem", menos o amor. Sentimento algum é tão teimoso! Até quando passa, não acaba, posto de lado, jamais se conforma.

O tempo pode apagar a lembrança de um corpo ou de um rosto, mas nunca os das pessoas que souberam fazer de um pequeno instante um grande momento, tu nem isso, por isso já quase te esqueci!
Não sou nada, não tenho nada, mas é pela simplicidade do meu nada que te ofereci tudo. Quando te beijava era um maneira cómoda e muito agradável de interromper uma conversa na qual as palavras não eram suficientes.

Ás vezes é preciso parar e olhar para longe, para podermos ver o que está perto de nós. Foi nesse instante que acabei por te ver…que triste realidade!

O meu Amor por ti nasceu com o olhar, dos olhos passou para o coração que vê muito mais, quando me dei conta, a paixão virou amor: uma confusão de sinais, impulsos e palavras. Quando duas pessoas se amam, elas não se submetem e não se dominam, apenas se completam.
Talvez tenha sido por um olhar...Talvez por um sorriso...Talvez tenha sido por aquelas Palavras ou talvez aquele instante contigo...Talvez um dia estaremos juntos e talvez tudo será esquecido...Talvez possa existir outros momentos e aí quem sabe...

Amei-te, não somente por aquilo que eu julgava que eras, mas pelo que fui quando estava contigo! Amei-te, porque puseste a mão na minha alma e passaste por debaixo de minhas fraquezas com teu falso Amor.

Tu foste minha vida, a minha alma. Quando falavas dos meus olhos ... os meus olhos perguntavam-te coisas que só o teu coração saberia responder e no entanto permaneceu calado.

Quando a tristeza vier de novo ao meu encontro, vou deixar sair dos olhos uma lágrima, da boca um sorriso e do coração uma prece, pois não são covardes os que choram por amor, mas sim aqueles que amam ou amaram com medo de chorar...
Procurei no horizonte uma forma nova de ser feliz.... Não encontrei nada!
Procurei na meia-noite uma maneira suave de sonhar... Não adormeci!
Procurei então, onde a razão não pode alcançar, fui dentro de mim, bem fundo e quase sem querer descobri-te por entre as minhas letras mágicas e risos escondidos... achei-te, falso, manipulador, canalha …

"Cuando mires las estrellas acuerdate de mí, porque en cada una de ellas hay una lágrima para tí."



Tuesday, August 24, 2004



Queria ser letras. Poder entrar nesse Mundo … e chegar de surpresa. Materializar-me diante de olhos estupefactos. Hoje a cabeça está vazia.

Queixamo-nos das injustiças. Queixamo-nos por estarmos vivos, e queixamo-nos das mortes em que muitos dias se transformam. E em cada uma delas, acontece o milagre das vidas, feitas apenas numa única vida, que vamos digerindo, apesar dos lutos de que nos vamos vestindo de quando em vez.

Parei. Parei de tudo e tudo. Membros, cabeça, olhar. Esqueço o branco do monitor e vejo um sorriso ... Neste espaço de tempo, deixei de escrever.

Depois de algum tempo aprendemos a diferença, a subtil diferença, entre dar uma mão e acorrentar uma alma. Então aprendemos que amar não significa apoiarmo-nos, que companhia nem sempre significa segurança, e começamos a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas.

Aprendemos que falar pode aliviar dores emocionais, descobrimos que se leva algum tempo para construir alguma confiança e apenas alguns segundos para destrui-la.

Descobrimos que não importa aonde chegámos, mas para onde estamos a ir, mas se não sabemos para onde estamos a ir qualquer lugar serve.

Aprendemos que quando se está com raiva temos o direito de estar com raiva, mas isso não dá o direito de ser cruel.

Aprendemos que não importa em quantos pedaços o nosso coração foi partido, o mundo não pára à espera que nós o consertemos. Aprendemos que o tempo não é algo que se possa voltar atrás.

Descobrimos que a vida realmente tem valor! As nossas dúvidas são traidoras e fazem – nos perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar...



Friday, August 20, 2004





Thursday, August 19, 2004



Sempre quis escrever-te, pensei fazê-lo no momento em que descobri que eras apenas humano. Naquele dia, decidi retirar dos teus ombros o fardo de herói, só que já era tarde … e não foi há muito tempo.

Quando era criança gostava de quantificar tudo, um dia perguntei-te: “Pai amas-me quanto?” e respondeste: “… Bem filha amo-te, desde quando nem sabias da cor dos teus olhos; amo-te, desde quando eu nem sabia, se eras um menino ou menina; amo-te, desde que passaste a existir como semente; amo-te desde que eras apenas um sonho do meu desejo de pai. O Quanto … Amo-te como daqui á lua e vir, apesar de todos os obstáculos que encontrarmos pelo caminho!” Fiquei tão feliz … afinal era mesmo muito!

De ti herdei tanto, os olhos, a alegria por vezes falsa, a energia, a garra... o silêncio – emudecer diante da dor. Alguns chamam de indiferença e orgulho. Nós sabemos que não. É apenas o nosso jeito de não incomodarmos o mundo diante da pequenez do que somos.

Rasgámos todos os modelos, porque na dinâmica da emoção e da humanidade, os estereótipos apenas atravancam o nosso processo de conhecimento e doação.

Hoje tenho Saudades … hoje não posso dar-te aquele abraço, nem dar-te o fantástico beijo de esquimó, mesmo assim, o amor que tenho por ti é maior, muito maior que a distância que nos separa, já que é Infinito.

O amor que tenho por ti vai chegar pelo vento, pelas estrelas, pelo ar … tenho tantas saudades Tuas … Anyway Parabéns Pai.



Wednesday, August 18, 2004



O meu destino, o meu destino é metafísico; a minha ambição é mesmo só espiritual. Todo o meu ser é desaparecido e o meu inferno existencial.

A minha dor está a descoberto, a minha vida … um desalento, o meu destino incerto … muita mágoa e um só sofrimento.

A minha arte … é só cegueira, o amor desamparado. O meu ódio incendeia o meu corpo dilacerado.

Tanta filosofia, complicando o que complicado é! Tanta volta, e volta atrás, apanhando a outra volta, juntando outras e outras, esquecendo-me que a volta perdida ficou sem um elo na volta atrás …

Tanto pensamento desmedido, e desmentido, e dito, e acreditado, e sincero, e paranóico, e puro, e empirista, e tanta … tanta reflexão sem saber sequer se realmente vale a pena tanta coisa.

Minha ignorância é só o que resta, porque o resto … - já é só merda!





Independente das razões, o ser humano é passível de erro e as pessoas traem, ou são traídas. A escolha é entre gostar ou suportar. That's sucks!

Os homens precisam apenas de um lugar, as mulheres, de um motivo…

Homens e mulheres estão frustrados e carentes, pois esperam o que o outro não pode dar. Homens ainda idealizam uma mulher perfeita e mulheres ainda idealizam um companheiro que as apoie e ajude. O cenário é de pura reivindicação e isso abre brechas para que o desinteresse se instale e surja a infidelidade. Nesse cenário, a infidelidade é quase sempre uma fuga.

Seria mais adequado tentar reencontrar a harmonia, em vez de utilizar uma terceira pessoa como alicerce permanente de uma relação que vai mal. E não se enganem. Traição sem culpa não existe. É um mito.

O grande dilema é que as pessoas não resolvem os seus problemas, dedicando-se ou terminando o casamento e sim, fazendo "arranjos falsos", que permitem mantê-lo estável, aparentemente. Às vezes, essas pessoas até sabem que os seus relacionamentos acabaram, mas por culpa, medo, ou até pela segurança de propósitos práticos, como a situação financeira, refutam em abandoná-lo.

O problema é que escorregadelas podem virar quedas dolorosas, para todos os envolvidos.

Existem pessoas que traem para suportar o que falta no companheiro, mas não existe no mundo todo, pessoas capazes de preencher todas as nossas necessidades.

A traição tem a primeira brecha quando o respeito que existe na relação acaba.
Ao contrário do que se pensa, o(a) traidor(a) não é um(a) delinquente afectivo(a) (salvo excepções), nem um(a) negociador(a) de relacionamentos.

O pior é que quem trai, para expiar a culpa, a projecta no(a) outro(a), que de vítima, passa a ser objecto de ódio, iniciando um círculo vicioso.Eu traio-te eu odeio-te por isso traio-te...

A instituição do casamento e a importância dada à família, com todas as suas normas e regras, colaboram para que o amor de verdade acabe e possa nascer a traição. A pessoa passa a ter direitos morais sobre o outro, o casal, erradamente, assume o outro como “um título de registo de propriedade”.

Existe a obrigação implícita de ter de estar com o(a) parceiro(a), mesmo quando já não há mais amor. O pior, é que essas imposições assumem a aparência de escolhas livres. Esquecemos que todas as boas soluções são baseadas na liberdade, e que mesmo que eu ame muito, não amo muito o tempo todo.

Existe ainda o papel da outra, da amante, que não é tão fácil quanto se imagina. Temos sempre em mente uma pessoa linda, vulgar, sem valores e aproveitadora; e não um ser humano comum que sente dores e sangra vermelho, como todos nós.

É sempre vista como transgressora, pois na maioria das vezes, mexe com a imaculada família, desfaz lares. É alguém que vive em estado de espera... Dos filhos crescerem, da matriz se curar, enfim, de algo que na verdade muito raramente vai acontecer. É alguém que sofre, pois o companheiro não opta por uma relação estável com ela. Alguém que tem dia e hora marcada para amar.

Num triângulo sobra sempre uma ponta, em geral é o/a amante.

Nesse ponto, sou completamente a favor das prostitutas.

Elas não estão envolvidas emocionalmente, basta que lhes paguem. As cartas estão na mesa e as expectativas não são frustradas, pois cada um sabe bem o que quer e o outro pode dar.

As regras são claras e ninguém é enganado. A pessoa não é cobrada em nada e não deve nenhum telefonema no dia seguinte. São pagas para irem embora e não para ficarem. Podem finalmente relaxar, abrindo mão do poder, ou vice-versa. Aliás, pensar que se tem o poder sobre algo, ou alguém, é um excelente afrodisíaco.

Quase todos nós temos ideias equivocadas sobre fidelidade. Existem pessoas que nunca traíram, no entanto não suportam o(a) parceiro(a). Não somos donos de ninguém e às vezes nem de nós mesmos, mas a ideia de posse existe em quase todos os relacionamentos estáveis.

Reprimir os desejos não significa eliminá-los. Quando a fidelidade acontece por concessão que se faz ao outro, o preço torna-se muito alto e pode invalidar todo e qualquer relacionamento...



Tuesday, August 17, 2004



Descrever o que sinto por dentro nunca foi tarefa fácil e no entanto o que me fascina é a descoberta por detrás das entrelinhas.

A vida fez-me assim, olhar vivo e não creio que caiba aqui o termo revertível para algumas coisas em mim … pedras lançadas, palavras ditas, escritas, frases que ficam e que fincam algum detalhe por menor que seja, por mais ínfimo que pareça.

Algumas coisas não voltam e não há para elas um processo que implique um retrocesso … Apesar disso não posso esquecer, ficam cá estagnadas, cravadas como pedras de diamante, que cortam, arranham e se separam… mas ficam!

Não penso nos meus momentos de sensatez, fecho-me e por dentro fico no encalço da saída, a ida para outro lugar, um ponto que converge em rectas congruentes, um espaço, um grito, a dor, a perda dos sentidos, da razão … e …

Não é simples, por mais espontaneidade que haja há palavras que não devem nunca ser ditas.
Deito fora as minhas metáforas, porque são a chave, mascaro, enfeito, dou voltas e por cada volta fico presa a outra volta que na volta ficou atrás, pelo simples prazer de não me fazer entender.

Uma prova?! Vê, volta “22” linhas atrás e encontras também as tuas palavras, em gavetas talvez, ou nas páginas de uma agenda, ou numa caixa velha cheia de coisas perdidas, de lembranças que deviam ser esquecidas…de vida vivida?!

Gosto destas palavras, elas são um corpo que se apodera da minha alma desgarrada e as palavras vão e vêm, as frases incompletas, a magia de brincar com o inexacto, o incorrecto, o inviável …

Deixem que os meus olhos descansem agora … Hoje não consigo escrever, quando os dedos se movem de um para o outro lado, sinto-os negando a intenção da simples ordem de cair na tecla desejada. Há vontade, mas talvez não haja palavras … palavras tontas … as minhas palavras.

Todos se afastam quando o mundo está errado e afinal o que temos … apenas um catálogo de erros …fechem as portas, as janelas, apaguem as luzes já que não há mais nada a não ser estas minhas palavras sem forma … como eu.



Monday, August 16, 2004



Sou um rio à procura de mar.

O meu rio é uma inundação de palavras, palavras que vão sem destino, ou com destino… São palavras que estardalhaçam palavras no sangue do meu coração
.



For the Peace
 





Friday, August 13, 2004



A noite...a noite é quando a solidão vem... quando as pessoas se escondem em casa, preferindo humilharem-se, do que olhar em frente! Ninguém é capaz de encarar a noite, e todos os pensamentos e desejos loucos que ela trás...

A noite é boa conselheira...dizem...mas é simplesmente incrível o facto de nem todos nós conseguirmos conselhos...e nos decidirmos pela vida, fazermos "De-Cisões"!

A noite cala o meu grito de sofrimento...um grito de revolta para com tudo o que me rodeia...um grito que não tem medo de se fazer ouvir, um grito que nasce no meu interior, e que simplesmente rebenta...mas é calado pelo silencio da noite!

Sinto-me mal...e apenas à noite tenho coragem suficiente para assumir tudo, apenas à noite me sinto forte e se antes esta mesma noite me assustava, agora não...porque sinto que apenas nela dou tudo de mim, apenas durante a noite luto por tudo, digo o que sinto...sem medo nem receios, simplesmente porque sei que este grito é calado e nunca ninguém o ouvirá!

Será que alguém notou alguma vez que cá dentro do meu peito dói??? Será que alguém se apercebeu da minha dor, da minha revolta??? Será que alguém já se deu conta de como me sinto cansada de ajustar as minhas velas e as dos outros???

Já não me considero um Ser, um Alguém...mas sim um Algo, uma Coisa...que tem medo de viver, medo de seguir em frente, de aceitar sentimentos, que tem medo de sorrir verdadeiramente...

Já senti os meus pés bem firmes no chão, tinha uma parede que me protegia de todos os ataques laterais, um tecto de me cobria de todas as trovoadas da vida...e tinha fundamentalmente um sonho a seguir...mas e agora?????

Agora...não tenho nada...nem um chão, nem uma parede apenas, nem um tecto...nem um sonho, logo não há pessoa, não há ser...logicamente não há vida! Vejo-me a cada dia a cair por um buraco que não tem fundo...mas é um cair silencioso...um cair a cada momento...um morrer a cada segundo, uma morte lenta e sofrida...

Cá dentro dói...sim... mas será que alguém já tinha notado???

É que em tempos era todo o Universo o meu mundo, o meu mundo fácil. Eu era o sol mais íntimo que acarinhava o meu próprio mundo, o meu mundo decorado de fácil. Eu era um palhaço vestido de fácil. Um palhaço que tinha um sorriso fácil …Eu era a força mais fácil para encontrar um amigo fácil …

Mas o meu mundo, o meu mundo fácil, foi devorado pelo tempo que não respirou.
O palhaço, deixou de seu o palhaço decorado de fácil! O mundo fácil já não é o mundo fácil … A simbiose palhaço/pessoa deixou de actuar!

Hoje o meu mundo fácil é outra simbiose – Eu/Solidão. Solidão amiga fácil.



Thursday, August 12, 2004

Sorry but ...
 



Esta tarde em Bruxelas numa conferência de imprensa, José Manuel Barroso apresentou a equipa maravilha que compõe a Comissão Europeia e os pelouros de cada um dos seus membros e disse:

I have organised this strong team to ensure we work efficiently and achieve the goals we set ourselves. I attach great importance to team players committed to the European general interest. Commissioners will work together and deliver real benefits for EU citizens”

Portfolio Responsibilities of the Barroso Commission


José Manuel BARROSO - President

Margot WALLSTRÖM - Vice President Commissioner for Institutional Relations and Communication Strategy

Günter VERHEUGEN - Vice President Commissioner for Enterprise and Industry

Jacques BARROT - Vice President Commissioner for Transport

Siim KALLAS - Vice President Commissioner for Administrative Affairs, Audit and Anti-Fraud

Rocco BUTTIGLIONE - Vice President Commissioner for Justice, Freedom and Security

Viviane REDING - Commissioner for Information Society and Media

Stavos DIMAS - Commissioner for Environment

Joaquin ALMUNIA - Commissioner for Economic and Monetary Affairs

Danuta HÜBNER - Commissioner for Regional Policy

Joe BORG - Commissioner for Fisheries and Maritime Affairs

Dalia GRYBAUSKAITE - Commissioner for Financial Programming and Budget

Janez POTOČNIK - Commissioner for Science and Research

Ján FIGEL - Commissioner for Education, Training, Culture, and Multilingu

Markos KYPRIANOU - Commissioner for Health and Consumers Protection

Olli REHN - Commissioner for Enlargement

Louis MICHEL - Commissioner for Development and Humanitarian Aid

László KOVÁCS - Commissioner for Energy

Neelie KROES-SMIT - Commissioner for Competition

Mariann FISCHER BOEL - Commissioner for Agriculture and Rural Development

Benita FERRERO-WALDNER - Commissioner for External Relations and European Neighbourhood Policy

Charlie McCREEVY - Commissioner for Internal Market and Services

Vladimir SPIDLA - Commissioner for Employment, Social Affairs and Equal Opportunities

Peter MANDELSON - Commissioner for Trade

Ingrida UDRE - Commissioner for Taxation and Customs Union

Tudo Bons rapazes tá claro!





Estou farta de ver o País ainda engalanado, primeiro pelo Euro, afinal não ganho, agora pelos Jogos Olímpicos em Atenas. Do vermelho “arrosado” das bandeiras!!!

Estou farta do orgulho que temos e não usamos; estou farta do Paulo, do Ferro, do Durão, do Pedro engatatão, do Marcelo papa livros e ainda dos Camaradas vermelhos, dos Camaradas do Bloco …

Estou farta de me desiludir, farta da insensatez, do egoísmo; farta dos canalhas com que me vou cruzando, farta de más vontades, farta dos boys; farta de sonhar e não ver nada realizado.

Estou cansada... Cansada das mesmas pessoas, da mesquinhice, da inveja …

Gostava de mudar, de encontrar algo que me parece tão distante e escondido. Estou farta de só fazer escolhas erradas e de não conseguir ter nada de coerente e de fixo na vida!

Mas se calhar é isso que me permite ser como sou. Penso que agora estou cansada da monotonia... do mês de Agosto, aquele em que todos desaparecem e eu fico aqui, como uma resistente de guerra!

Tenho medo de me envolver, seja com amizades, seja com amor, porque no final quem cai sempre sou eu!

E afinal de contas basta-me tão pouco, basta-me apenas uma pitada de coisa nenhuma, uma sensação de fuga, o rasto de um navio, o bolinar de um barco, o voo das gaivotas, o cheiro da maresia, um areal a perder de vista …

Afinal basta-me um quase nada, para a aventura nascer, levantar a minha âncora fundeada em águas mansas e levantar a carcaça indolente do meu corpo.



Wednesday, August 11, 2004



Os dias de ontem já passaram! Mas, sempre que dizemos “até logo” fica comigo aquela doce recordação … de facto, o que nos ligava ao tempo era mesmo os relógios.

Por vezes o “tempo” é incómodo, por isso gostava de Construir um Tempo. O Meu Tempo. Um Tempo em que só existisse o Amor e a Coragem. O que não interessasse ficaria fora do Meu Tempo e tu permanecerias dentro do Meu Tempo Construído, achavas bem amor?

Sei que são palavras “mágicas”, palavras impossíveis, mas talvez seja esse o meu Mundo, Um Mundo de … Fantasia?! Eu gosto de fantasiar … fantasiar o impossível, ou será mesmo que estou a reaprender a Sonhar?!

Eu sou o que sou, genuína, “sem corantes nem conservantes” como costumo dizer em ar de graça.

Comecei no entanto a aperceber-me que sempre que a noite chega, a solidão vem-me falar de ti. A saudade penetra no meu coração como um pouco de luar dentro da minha noite imensa e vai deixando aos poucos, o seu toque magnífico de beleza e suavidade, vai deitando prata nos recantos mais sombrios, vai enfeitando de luz as flores mais singelas.

Assim é a saudade, assim é a minha saudade. Consegue transformar em beleza a tristeza infinita do presente … longe de ti … porque traz para mim o encanto das horas do passado.

A saudade, a minha saudade traz o gosto perdido de beijos de amor … traz o calor dos teus braços inesquecíveis … traz o eco das tuas palavras doces …

Fecho então os olhos e começo a recordar … começo a pensar em ti que foste todo meu … e agora és a minha saudade.

Eu já não sabia que a saudade doía tanto, meu amor. E quando dói, fico a olhar para as estrelas implorando que leve até ti esta minha saudade, para que venhas a correr para os meus braços.

A saudade …Ela é a própria amargura … o meu único alento, todo o meu sol, todo o meu luar … toda a minha vida, meu amor … Mas bendita seja a saudade, graças a ela eu quase sinto a tua presença …



Tuesday, August 10, 2004



Aquela mulher aparentava uns 55 anos. Estava no quarto, em cima da cómoda uma moldura com uma fotografia que tinha tirado há cerca de 20 anos. Quanta mudança …

Pegou na moldura, sentou-se na beira da cama e olhou fixamente para a sua imagem de outrora …

As mãos são a parte do corpo que menos muda, pensou. De repente levantou-se, colocou a moldura no sítio do costume – entre dois castiçais – e num movimento instintivo, apalpa o ventre, a cintura e os peitos.

Há quanto tempo não se via nua! Em frente ao espelho despiu peça por peça, procurando alguma ousadia na “arte” de despir … Com as mãos afagou o corpo, agora mais mole, mais largo sem brilho. Há quanto tempo não era desejada!

O Homem que partilha consigo a cama, há 20 anos, acaba sempre escondido entre os seus peitos ou adormecido sobre o seu ventre como se fosse almofada.

Por vezes só se abraçam a uma perna ou a um pé, incapazes já de se abraçarem, de se beijarem; ela só sente o peso do corpo dele que num vai e vem sem sentido, faz “adormecer” o seu sexo.

Segundos após ter fingido mais um orgasmo, fica quieta aguardando que ele se “enrosque” e adormeça, iniciando a vigília do sono, como uma mãe, ou como uma amante, ou como ambas as coisas ao mesmo tempo.

Quando ele acorda, ela senta-se na cama e espera que o sangue flua normalmente e o formigueiro acabe e nem uma palavra e nem um gesto de amor ou carinho …

Com as mãos massaja a zona da pele avermelhada pela pressão do corpo do homem que sustentou sobre si naquele acto carnal, já que os actos de amor há muito que se foram, continuando contudo a manter uma relação de há 20 anos presa com um penso rápido descolorido e frágil …





Eu "descolei". Mas a estrada chegou ao fim, e fui obrigada a desconectar a apenas 260 metros.

Naquele momento, percebi que uma nuvem começou a formar-se à minha esquerda. Fui subindo e concentrei-me ao máximo para não perder…

Segui derivando para o nada, alcancei o tecto que estava 700 metros. Ia-me segurando em qualquer coisa que encontrava.A condição melhorou, mas a deriva foi-me levando directamente para a "área proibida".

Fui obrigada a trocar de linha, fazer uma transição com vento de través até a próxima linha de nuvens à minha direita. Acabei por ficar muito baixo, quase sem esperança, a menos de 150 metros do chão. Foi quando decidi apostar tudo num lago que ficava um pouco mais à frente.

Consegui encontrar um "zero a zero" e segui derivando por uns cinco quilómetros até a térmica começar a render, continuei lutando contra a deriva.Por mais “três horas” continuei com uma média muito baixa. As estradas pareciam cada vez mais escassas, até chegar em trechos completamente desertos e inóspitos.

Nesta altura a condição estava redonda, infelizmente, todos os “cloud streets” estavam quase perpendiculares à rota. Até o meio do voo eu conseguia ouvir o resto dos “pilotos”, mas eles não conseguiam ouvir-me ... ou, simplesmente, não me entendiam. Tentei novo contacto, mas inutilmente. Nada, ninguém respondia, ou se respondiam não era o que eu queria ouvir.

Consegui visualizar um parapente um pouco à frente. Não consegui definir a que distancia estava de mim, mas, pela posição passada por ele e pela lógica, não deixara dúvidas de que agora eu estava voando à frente, e estava muito bem posicionada.

O voo começou a enfraquecer e as nuvens a desaparecerem. Até àquele momento o voo tinha sido perfeito, sem incidentes ou sustos. Num raio de 360 graus, não existia diferença nenhuma de relevo ou vegetação: qualquer pessoa tinha exactamente a mesma visão. Era impossível voar sem um GPS para poder detectar o(s) canalha(s) …Enquanto a condição de voo estava forte eu procurava concentrar-me apenas no voo, sem atentar muito para as enormes transições que fazia algumas vezes sem nenhuma estrada por baixo.

Mas como a “condição” estava a chegar ao fim, estava nervosa. Segundo o meu GPS, se eu pousasse nos próximos 80 quilómetros, provavelmente tinha virado lenda, pois não tinha nada nesta região – “nenhuma estrada ou vestígios de civilização” e acima de tudo tinha falhado o meu propósito, o meu compromisso de me manter … independentemente de tudo e de todos.

À medida em que eu entrava no deserto, a minha mente começava a bombardear informações.

Lembrava-me que a minha reserva de água e alimentos era suficiente para ficar, no máximo, um dia no deserto. Que eu estava sem telefone, o meu rádio não funcionava. Eu estava cansada. Mas não desisti, não desisto nunca dos meus propósitos.

Já há muito que raspei a tinta com que me pintaram os sentidos, e quero ser EU PRÓPRIA.



Monday, August 09, 2004



A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação.

O amor quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante. A vida do amor depende dessa interferência.

Mas eu não sei o que o AMOR !!!

A morte do amor é quando, diante do seu labirinto, decidimos caminhar em linha reta e ele nos oferece os seus oceanos e mares revoltos e profundos e nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim.

Não, não podemos subestimar o amor. Não podemos castrá-lo. O amor não é orgânico.

Mas eu não sei o que é o AMOR!!!

Não é o meu coração que sente o amor. É a minha alma que o saboreia. Não é no meu sangue que ele ferve. O amor faz o favor de fazer a sua fogueira dionisíaca no meu espírito. A sua força mistura-se com a minha, e as nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu como se fossem novas estrelas recém - nascidas.

Mas eu não sei o que é o AMOR!!!

O amor brilha, como uma aurora colorida e misteriosa, como um crepúsculo inundado de beleza e despedida. O amor grita seu silêncio e dá-nos a sua música. Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos alimento preferido do amor.

O amor, eu não conheço … E é exactamente por isso que o desejo e me atiro do seu abismo, aventurando-me ao seu encontro. A vida só existe quando o amor navega. Morrer de amor é a substância de que a vida é feita. Ou melhor, só se vive no amor. E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.

Não posso falar de amor, porque não compreendo o que é amor!!!

Como entender um sentimento que transcende a tudo, a todos, que extrapola todas as fronteiras, que atravessa as eras, as vidas, e é distribuído irmãmente a todas as pessoas,animais e coisas???

Não,Não dá para falar de amor, do amor que pregam os mestres, que cantam os poetas, que eu vejo estampado nos rostos das crianças, ou numa ruga de saudade dos mais velhos...Não sei se posso.Não sei se devo.Não sei se compreendo o que seja amor verdadeiro.

Se amar é doação completa, então talvez não ame pois eu peço em troca...
Se amar é entrega, então eu não amo, pois me resguardo...
Se amar é apenas carne... Eu não, não amo mesmo, pois sou "vegetariana"... e lá no fundo dos meus sonhos concebo o amor como algo tão universal que me parece inatingível, e ao mesmo tempo tão simples...

Não,Não posso falar sobre amor porque, como qualquer ser humano, o amor universal, de completa doação, está além de todas as ideias...

Ah, o amor... Este que é pelo homem incompreendido, escondido, mal-falado, corroído e caluniado; Difamado, subtraído, maltratado e confundido; Vendido, alugado, mas que há muito não é amado ...

E pergunto: O que seria este amor se não tivesse sido já pelas mãos humanas um produto industrializado com etiquetas de marca, com um preço pré-definido e qualidade para exportação, mas não para ser usado?

Se o amor fosse achado nos corações e não nas novelas, teria ele de nos dizer frases de efeito ou outras até mais belas?

Teria de lê-las em reclamos luminosos de rua ou as saberia de cor?

A verdade é que o homem muito fala em ser amado e amar, as atitudes apagam o que se diz, e se alguém perguntar o que é, o homem dirá que ama, sem saber explicar o amor.

Mas eu não sei o que é o AMOR ….





No final de contas, o amor é mesmo desregrado, desmedido, desvairado e muito despeitado. No final de contas todos nós um dia acabamos por ser “infectados” por esse “vírus” do Amor. Ele chega como uma promessa de felicidade, mas vai, aos poucos sabiamente, apontando-nos cada um dos nossos mais íntimos e secretos defeitos … como se, de repente, deixasse de ser felicidade …

Com os anos, tenho descoberto, que há um propósito maior, uma lição escondida por trás do que já não parece felicidade, mas é! Felicidade é saber-se em processo de aprendizagem, é aceitar-se no caminho do crescimento … para somente depois admitir-se que o amor é assim mesmo egoísta, inseguro, ciumento, manipulador, controlador, chantagista, infantil e, ainda assim, o amor é superiormente digno de ser amado …

Não é preciso alcançar a perfeição para ser amado e nem para amar. Não é preciso ser sempre correcto e saber sempre uma resposta para se ser de verdade feliz! Basta que saibamos que a felicidade está para além do sorriso ou da lágrima, da alegria ou da dor … a felicidade é tudo o que somos, desde que nos aceitemos e aprendamos a aceitar, desde que nos respeitemos e respeitamos o outro, desde que se viva na verdade, na sinceridade, desde que …

O amor é um caminho e um caminho só pode ser bom, quando nos leva dentro de nós mesmos. E quando a gente chega lá dentro, podemos ver o quanto há para ser organizado, limpo, descartado, substituído e reformado … até lá …





Neste país onde o discernimento é perturbado pelo circo mediático, o grau de exigência é afectado pela manipulação e pelo show off. Mas esta situação acontece a todos os níveis, político, económico e social.

Não vislumbro uma linha de rumo, uma estratégia, não vislumbro nada!

Algumas linhas de orientação, tornadas públicas, têm um pendor folclórico, pela repetição estereotipada de frases feitas, uma retórica oca a sobrepor-se às ideias e à discussão das POLÍTICAS NECESSÁRIAS.

Não há um projecto para Portugal, não há NADA para Portugal!



Friday, August 06, 2004



Chamo por ti.
Quero tocar-te.
Quero saber se és real. Visitas-me nos meus sonhos e dizes-me para não ter medo.A tua voz acalma a minha ansiedade. O nervosismo de quando estás para chegar, os dois segundos anteriores à tua presença que parecem anos de vida.

A certeza que dispensa quaisquer perguntas.
Não ter compromissos que não te incluam.
A insignificância de tudo o que acontece fora da nossa porta.
O desejo arrepiante de sentir o cheiro do teu cabelo.
A sensação de continuidade do meu corpo, quando me tocas.

Saber que ninguém me conhece melhor.
Não querer desvendar-me a qualquer outra pessoa.
Acreditar mais em ti do que em mim própria.
Mergulhar no teu beijo, afundar-me nos teus olhos, sem sequer dar conta.
Embriagar-me nos teus braços com a intensidade doce do teu cheiro, que só eu sinto.

O vazio quando partes. O mundo quando chegas.

Quero que me olhes desse modo e que me descubras, como só tu sabes fazer. Que as minhas pernas me falhem só porque chegaste de mansinho. Ter a certeza que serei sempre e só tua, pelo modo como a tua pele sabe na minha. Saber que não poderia ser de outro modo. Que me segures e me salves das minhas fraquezas. Confiar no teu apoio mesmo sem ver as tuas mãos.

Que me ames com essa intensidade, com toda a verdade do mundo. Partilhar o meu esconderijo contigo. Seres meu cúmplice. Meu amigo, meu amante. Seres a minha e eu a tua vida.

Deixa-me abraçar-te, segurar-te contra mim, com tanta força que te sintas protegido da maior das tempestades. Deixa-me sentir-te, amar-te, viver em ti, porque tu existes no que há de mais bonito em mim.

Deixa-me continuar a procurar-te, mesmo sem saber se existes para mim. Deixa-me continuar a viver, mesmo sem saber se te vou ter.

Não quero passar por esta vida sem ter a certeza se me vou conhecer, se vou passar a prova de não te ter fisicamente.

É por isso e por tudo aquilo que invade constantemente todos os meus sentidos e me confunde as emoções. É por aquilo que eu sou e por aquilo em que acredito. É por aquilo que eu quero ser quando estás a meu lado. Não sei se é um sonho, se é real.

Não sei se sonhei com esta crença, ou se é uma crença com que sonho.





"Cansei de me esconder nas sombras; Cansei de calar o que n’alma me ia; cansei de ser Pau-mandado, Ignorada, Maltratada,Explorada, Usada!

Cansei de me deitar na cama com a revolta amordaçada, e de aceitar calada, o despotismo, a prepotência, O egoísmo...Sabendo que sei SER não mais calei.

Peguei nas palavras e lutei! Parti do Nada, mas onde cheguei, que rumo tracei, o que de mim dei, isso, só eu sei!

E por tudo o que calei Agora, livre, posso Gritar Bem alto: Sou Livre!"

Publicado por whiteball



Tuesday, August 03, 2004



O Homem industrial é diferente de todos os seus antecessores. É o Senhor de todos os escravos energéticos e amplificam a sua força. Passam grande parte da sua vida num ambiente estilo fábrica, em contacto com máquinas e organizações que reduzem o indivíduo.

O Homem industrial aprendeu quase a partir da infância que a sobrevivência dependia, como nunca dependeu do dinheiro vivendo do e para o dinheiro. Cresceu tipicamente numa família nuclear e frequentou uma escola tipo fábrica.

O Homem industrial trabalha numa grande empresa ou instituição pública, pertence a sindicatos, igrejas e outras organizações – a cada uma das quais entrega uma parte do seu ser dividido.

Identifica-se cada vez menos com a sua aldeia, cidade e país. Sente-se em oposição à natureza, a explorá-la diariamente no seu trabalho. Aprendeu a ver-se como parte dos vastos e interdependentes sistemas económicos, sociais e políticos cujas arestas se esbatem em complexidades que cada vez mais transcendem a sua compreensão.

Perante esta realidade revolta-se em vão. Luta para ganhar a vida. Aprende a participar nos jogos exigidos pela sociedade, adaptou-se aos papéis que lhe foram distribuídos, embora com frequência os deteste e se sinta vitima do próprio sistema que melhora no entanto o seu padrão de vida.

Sente o tempo a conduzi-lo implacavelmente para o futuro com a sepultura à espera. Á medida que o seu relógio de pulso vai marcando os momentos que passam, aproxima-se a morte sabendo que a Terra e todos os indivíduos que nela se encontram não são mais que parte de uma máquina cósmica cujos movimentos regulares são implacáveis.

Este Homem industrial lança-se em terapias de grupo, no misticismo ou em jogos sexuais.
Anseiam por mudança, mas ela aterra-os. Desejam ardentemente abandonar a sua existência presente e saltar, seja lá para onde for, para uma vida nova, tornando-se naquilo que não São. Querem mudar de emprego, de cônjuge, de País e de responsabilidades.

Procuram em si mesmos a fonte do seu descontentamento, sofrem angústias de culpa desnecessária. Parecem absolutamente alheios ao facto de o que sentem no interior de si mesmo é o reflexo subjectivo de uma crise objectiva muito maior: representam um drama dentro do próprio drama.

Podem persistir em ver cada uma destas várias crises como um acontecimento isolado. Podem ignorar as relações entre crise económico-social e a crise de personalidade, entre novas tecnologias e novos papéis sexuais e outra inter-relações ocultas do género; magoam quem os rodeia e saem magoados, mas fazem-no em seu próprio prejuízo, pois o que está a acontecer é maior do que qualquer uma dessas coisas – CRISE. O Estado está em Crise, o Sistema de Valores está em crise. O Homem está em Crise.



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