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Tuesday, August 10, 2004



Aquela mulher aparentava uns 55 anos. Estava no quarto, em cima da cómoda uma moldura com uma fotografia que tinha tirado há cerca de 20 anos. Quanta mudança …

Pegou na moldura, sentou-se na beira da cama e olhou fixamente para a sua imagem de outrora …

As mãos são a parte do corpo que menos muda, pensou. De repente levantou-se, colocou a moldura no sítio do costume – entre dois castiçais – e num movimento instintivo, apalpa o ventre, a cintura e os peitos.

Há quanto tempo não se via nua! Em frente ao espelho despiu peça por peça, procurando alguma ousadia na “arte” de despir … Com as mãos afagou o corpo, agora mais mole, mais largo sem brilho. Há quanto tempo não era desejada!

O Homem que partilha consigo a cama, há 20 anos, acaba sempre escondido entre os seus peitos ou adormecido sobre o seu ventre como se fosse almofada.

Por vezes só se abraçam a uma perna ou a um pé, incapazes já de se abraçarem, de se beijarem; ela só sente o peso do corpo dele que num vai e vem sem sentido, faz “adormecer” o seu sexo.

Segundos após ter fingido mais um orgasmo, fica quieta aguardando que ele se “enrosque” e adormeça, iniciando a vigília do sono, como uma mãe, ou como uma amante, ou como ambas as coisas ao mesmo tempo.

Quando ele acorda, ela senta-se na cama e espera que o sangue flua normalmente e o formigueiro acabe e nem uma palavra e nem um gesto de amor ou carinho …

Com as mãos massaja a zona da pele avermelhada pela pressão do corpo do homem que sustentou sobre si naquele acto carnal, já que os actos de amor há muito que se foram, continuando contudo a manter uma relação de há 20 anos presa com um penso rápido descolorido e frágil …



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