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Tuesday, August 03, 2004



O Homem industrial é diferente de todos os seus antecessores. É o Senhor de todos os escravos energéticos e amplificam a sua força. Passam grande parte da sua vida num ambiente estilo fábrica, em contacto com máquinas e organizações que reduzem o indivíduo.

O Homem industrial aprendeu quase a partir da infância que a sobrevivência dependia, como nunca dependeu do dinheiro vivendo do e para o dinheiro. Cresceu tipicamente numa família nuclear e frequentou uma escola tipo fábrica.

O Homem industrial trabalha numa grande empresa ou instituição pública, pertence a sindicatos, igrejas e outras organizações – a cada uma das quais entrega uma parte do seu ser dividido.

Identifica-se cada vez menos com a sua aldeia, cidade e país. Sente-se em oposição à natureza, a explorá-la diariamente no seu trabalho. Aprendeu a ver-se como parte dos vastos e interdependentes sistemas económicos, sociais e políticos cujas arestas se esbatem em complexidades que cada vez mais transcendem a sua compreensão.

Perante esta realidade revolta-se em vão. Luta para ganhar a vida. Aprende a participar nos jogos exigidos pela sociedade, adaptou-se aos papéis que lhe foram distribuídos, embora com frequência os deteste e se sinta vitima do próprio sistema que melhora no entanto o seu padrão de vida.

Sente o tempo a conduzi-lo implacavelmente para o futuro com a sepultura à espera. Á medida que o seu relógio de pulso vai marcando os momentos que passam, aproxima-se a morte sabendo que a Terra e todos os indivíduos que nela se encontram não são mais que parte de uma máquina cósmica cujos movimentos regulares são implacáveis.

Este Homem industrial lança-se em terapias de grupo, no misticismo ou em jogos sexuais.
Anseiam por mudança, mas ela aterra-os. Desejam ardentemente abandonar a sua existência presente e saltar, seja lá para onde for, para uma vida nova, tornando-se naquilo que não São. Querem mudar de emprego, de cônjuge, de País e de responsabilidades.

Procuram em si mesmos a fonte do seu descontentamento, sofrem angústias de culpa desnecessária. Parecem absolutamente alheios ao facto de o que sentem no interior de si mesmo é o reflexo subjectivo de uma crise objectiva muito maior: representam um drama dentro do próprio drama.

Podem persistir em ver cada uma destas várias crises como um acontecimento isolado. Podem ignorar as relações entre crise económico-social e a crise de personalidade, entre novas tecnologias e novos papéis sexuais e outra inter-relações ocultas do género; magoam quem os rodeia e saem magoados, mas fazem-no em seu próprio prejuízo, pois o que está a acontecer é maior do que qualquer uma dessas coisas – CRISE. O Estado está em Crise, o Sistema de Valores está em crise. O Homem está em Crise.



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