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Wednesday, September 29, 2004

LEMBRANÇAS
 



Compreendo exactamente aquilo que dizes e aquilo que sentes. Não te sintas contudo "forçado" a dares-me qualquer tipo de explicação, a não ser que te faça bem, a não ser que isso te possa ajudar, seja de que forma for.

Sabes, por norma nunca pergunto nada do foro pessoal, nunca pergunto a ninguém por uma questão de feitio, formação ou o que seja ... a não ser que me seja dito voluntariamente. Nessa altura sinto-me bem, sinal que depositam em mim Confiança, mas se não for essa a vontade do Outro, Ok para mim.

Sei que gostas de mim, melhor sinto-o, mas como te tenho dito, ainda que muitas pessoas não entendam, eu quando gosto sob qualquer forma de gostar, NÃO PONHO CONDIÇÕES. Se existe condições, então o Sentimento já não é Puro é mais um sentimento Protocolar entendes?! Eu sei que entendes.

Tu sabes que eu estou contigo seja de que forma for, e estarei contigo sem pressões, guardado no meu coração.

Digamos que no AMOR/SENTIMENTO estou a caminho da perfeição, aprendi muito com a vida, (pareço arrogante, mas na realidade é o que penso) ACEITO INCONDICIONALMENTE, mesmo podendo vir a sofrer eu para bem do outro.

Um Beijo enorme no teu coração



Monday, September 27, 2004

LEMBRANÇAS
 



Meu Amor,

Sabes, como já tenho dito inúmeras vezes, gosto muito e pensava que nunca mais diria, MEU AMOR.

O dia de ontem já passou?! Claro que já passou, mas ainda nos deixa aquela doce recordação... de facto o que nos ligava ao tempo era mesmo os relógios. Por isso é que por vezes o "tempo" é incómodo, por isso é que digo que gostava de Construir Um Tempo. O meu Tempo, um Tempo em que só existe o Amor e Coragem. O que não interessasse ficaria fora do meu tempo e tu Permanecerias dentro do Meu Tempo Construído.

Sei que são palavras "mágicas", palavras impossíveis de pôr em Prática, mas talvez seja esse o meu Mundo, Um Mundo de ... Fantasia?! Mas eu gosto por vezes de fantasiar, fantasiar o impossível, ou será mesmo que estou a reaprender a Sonhar?!

Estou bem, estou numa fase boa, estou Apaixonada ... e é óptimo, não, óptimo é pouco, estou Fantástica.

Tu sabes amar, e eu quero sinceramente poder amar-te como tu me amas, ou penso que amas. Eu amo-te incondicionalmente, é claro que me entrego, mas como podereia eu fazer outra coisa se estou a Confiar em Ti e a Amar-te muito?!

Eu sou o que sou, sempre fui assim, genuína, "sem corantes nem conservantes" como costumo dizer.

Podem roubar-me tudo mesmo, mas há uma coisa que agora tenho a certeza absoluta, cada vez mais quero ser Eu Própria. E se me magoar ... bem se me magoar acho que ainda tenho a capacidade de me regenerar. Não me vou proteger mais, afinal o que foi a minha vida de há 4 anos para cá? Protegendo-me de tudo e de todos, protegendo-me até de mim ... e o que ficou?! Ficou um Eu quase seco, quase frio, quase um anti-Ser.

Felicidade?! Honestamente não sei o que é, melhor ainda tenho medo de pensar o que é para mim a felicidade. Felicidade será isto que estou a sentir? Não sei, o que sei é que se for só isto (sentir-me bem, amar-te ...) eu quero mais, quero mais hoje e amanhã de depois de amanhã ... quero mais sempre, quero mais sem medo.



Sunday, September 26, 2004



A ausência de comunicação leva-me, aliás acho que acontece a quase toda a gente, a procurar sózinha respostas por vezes absurdas.

Já passou imenso tempo desde os acontecimentos sórdidos que tu tão bem sabes.

Decidi, é um facto, pôr um termo na nossa “relação”, fi-lo, não por ter deixado de gostar de ti, mas porque me sentia “amarrada” a alguém que ultimamente apenas estava a “fugir” de mim, sem que me desse uma justificação que fosse clara e precisa para o que estava a fazer.

Todos os e-mails que recebi teus, desde que tomaste a decisão de não me contactar pessoalmente, li-os e reli-os a procurar ver para além das entrelinhas, mas só me deixaram com mais e mais dúvidas.

Disse-te que “Mistério” não faz o meu género, e é verdade. No entanto este “Mistério” que foi criado diz-me respeito a mim, e isso penso que estás de acordo. É lógico que pretenda as tais respostas, como te disse no voice mail, já não tem interesse para mim saber quem fez o quê, mas simplesmente saber o Porquê desta situação, o Porquê da Calúnia!

Entendo que quisesses, como dizias, estar “ausente mas atento”, mas gostaria que essa tua atitude não me lesasse a nível pessoal e foi o que aconteceu.

Deverias conhecer e saber que não faz mesmo o meu género lavar roupa suja em público; também não faz o meu género, “peixeiradas” pessoais, sempre fui adepta do diálogo educado e civilizado.

Penso também que para se poder viver tranquilamente ou mais tranquilamente, temos de “arrumar” as ideias e para isso há situações que devem ser clarificadas. O que fiz ao longo de algumas semanas já passadas, felizmente, foi refrear, tanto quanto possível a vontade que tive de satisfazer todas aquelas questões e com isso, dei por mim a fazer uma “operação cosmética” diária e contínua; No entanto passava a semana e toda esta situação atingia proporções dantescas.

Honestamente não queria ter ficado de ti com uma imagem …. “menos agradável”.
Naturalmente eu também errei, errei quando confiei em ti, deveria ter ponderado mais a situação, aliás deveria ter resistido, mas enfim nunca disse que era perfeita, valeu como exemplo futuro. Analisando o teu comportamento friamente … concluo que sempre foste um pouco obsessivo, sofucante até … mas já há tanto tempo que não amava assim que imaginei ser … falta de prática?!

Aguardei pelo teu bom senso e com isso quero dizer que aguardei notícias tuas, mas o silêncio caiu definitivamente, do Nosso Tempo ficou “apenas” um ASCO enorme que sinto quando me lembro de ti Canalha.



Friday, September 24, 2004



Vejo o teu olhar doce sobre mim, não consigo deixar de reparar nisso, e apesar de saber-te ali para mim, um entrave galopante, um nó na garganta e outro no estômago parecem crescer sem eu dar conta.... e o tremer do meu corpo cresce, não te conseguia enganar.

Pedes-me a mão... o sentir do teu toque quente, a maciez da tua pele, o prazer de te tocar. Gostei deste teu gesto, finalmente senti-te, finalmente toquei-te... e apesar de me ter tranquilizado um pouco esta tua aproximação, não conseguia quebrar a película protectora que parecia tornear-me.

Uma sombra acolhedora leva-nos a sentar... e o silêncio doma-me mais uma vez... nem consigo pensar ... bloqueio e apenas penso em ti, na dificuldade, no esforço que fazes para quebrar aquele gelo, e por mais que a minha vontade fosse outra, apenas o silêncio, só o silêncio parece ter-me ... ainda assim, abraças-me... o calor do teu corpo, o conforto daquele gesto fazem-me desejar que aqueles minutos se prolonguem e estiquem um pouco mais... naquele momento um medo absurdo passa-me pelo pensamento, medo que este momento acabe, medo que desistisses de mim, medo de te perder, de te quereres ir embora, medo de estar a sonhar... e abraço-te um pouco mais forte...

Selamos, o nosso desejo, o nosso carinho um pelo outro, e num conjunto intenso de beijos, toques e afagos, que se sucedem sem parar... apenas incendiamos a chama já acesa... O momento e o sentir são belos demais para que eu os conseguisse descrever... Apenas digo, valeu a pena esperar por ti...



Wednesday, September 22, 2004



«O que aconselho à nossa juventude é que queiram ser aquilo que são, sem dizer que coisa é que são e que até se o não souberem, que vão sendo, que vão fazendo as suas experiências, pois estas pelo menos lhes poderão mostrar aquilo que não são. E façam o favor de se não deixar ter pelos outros, e façam o favor de se não ter a si próprios! Três coisas com o verbo ter, que é o nosso grande inimigo!»

Prof. Agostinho da Silva



Sunday, September 19, 2004



Vivo agarrada … aos Amigos que perdi, às Vidas que já vivi, aos Amores passados, às vivências doentias que vivi sem que me tivesse dado conta …é mais forte do que eu ser fraca!

Quero desamarrar-me, quero viver, viver e não morrer, e se morrer continuar a Viver …

Tenho medo de acabar, ser enterrada, e desaparecer deste mundo fingido. Passo o tempo a pensar que não tenho tempo, ocupo os talentos a pensar em desalentos. E o pouco tempo que me resta … depois disto tudo, ocupo-o a pensar, sentada de olhos fechados e pergunto: Tenho sonhado ou tenho vivido de um sonho perdido no passado?

Quero mesmo é libertar-me, desamarrar-me, deixar-me em paz, ser alguém, ser ninguém, ser tudo, ser nada …



Saturday, September 18, 2004



Mostras-me um pouco mais de ti, tocas a música que te vai na alma e tocas a minha, tocas-me o coração...O Adoro-te passou a Amo-te, e era tudo o que te queria dizer... o momento estava demasiado perfeito... Penso no meu filme preferido, e tal como os amantes que se encontram, apenas desejo que o dia não amanheça e que o momento não acabe.

E é assim que vou, que parto de ti, da tua presença ... e deito-me, deito-me sempre com a sensação de que algo ficou por dizer, que algo ficou por fazer... e antes de pegar no sono sinto uma certa agitação em mim, sinto o arrepio longínquo da tua presença como se viesses ao meu encontro, como se ainda estivesses comigo. E, só quando sinto o conforto do teu abraço imaginário é que descanso, é que consigo descansar... e então envolver-me num descanso profundo até um novo dia renascer...

Sinto, apenas sinto uma infinidade de coisas que se colocam em meu redor. Ando para cá e para lá em busca de palavras, em busca de gestos que demonstram aquilo que sinto.


Assim, na calada da noite, num misto envolvente de mistério... só desejo saber como estás, trocar contigo o sabor dos sentimentos, o sabor das palavras...

Mas, que infortúnio nos toma... e andamos às voltas, à volta da mesma coisa, cheios de receios, de dúvidas, de angústia.... sinto o teu segredo, sinto o teu querer que não sai... às vezes desejo apenas que libertes... que libertes tudo o que te prende como um nó cada vez maior na garganta, que te faz a alma correr de um lado para o outro cheio de dúvidas... e eu, deste lado, sinto-me apenas incapaz, tão incapaz de chegar a esse lado...e no entanto desejo…




Tuesday, September 14, 2004



Por enquanto, sinto que sigo, porque vejo a costa a passar por mim... Por enquanto, sinto que me movo, pois vejo o rasto branco que deixo no mar... Por enquanto, sinto que vou … com uma vaguíssima noção de para onde, mas o que sei mesmo, como algo sabiamente certo, é que estou a bordo de um navio!

O mar e o céu confundem-se no azul, o do mar mais escuro, o do céu com uma claridade que ofende os olhos. Sinto e não digo a ninguém, sinto como uma mágoa que não se expressa, sinto e não sei dizer que “Amanhã” é um céu de luz que deixei para trás.

O chão onde piso agora parece ainda movediço, tamanha foi a minha adaptação a seu balanço. Já não “vomito”. E isto não é somente uma adaptação ao ir e vir das ondas. Apesar da náusea, respiro fundo, engulo o engulho, porque eu quero ser uma Mulher, quero ser esperta, forte, experiente, quero ser isto tudo, ainda que seja esta deformação de ser, ainda que me deixe enganar …

No entanto sigo, sinto, e não consigo dizer o magro mundo que sou. Perdida neste azul, a tudo estranha... esforço-me para fugir do que sinto e o que sinto quase me expulsa da fuga e me obriga a manter-me... Para onde vou?

Depois de dois dias de viagem, e apesar da furiosa agitação a bordo, piscina, roleta, jogos, música, dança, e brincadeiras, e piadas, e risos, e álcool e exteriorização do vazio aos gritos, agitação a que estendo os olhos compridos, como se desse gozo animal não sentisse a falta, como se esse circo canibal não me atingisse … porque estou no momento farta de tanta palhaçada … por enquanto afundo-me na leitura, e nessa hora apenas vejo um manto de luz, de azul … e a leitura entende-me!

Por enquanto, à noite, o mar é de um negro inquieto e estrelado. E consolo-me: a minha noite é a natureza. Cá no convés, olho as estrelas. Lindas cintilando no céu escuro. Lindas e nuas. Enquanto no salão de festas o riso estoura, enquanto os champanhes estoiram, e jorram, no céu escuro de breu …



Monday, September 13, 2004



O ventre do mar foi o ventre do teu corpo …

Penetrei no teu pensamento e o meu pensamento avançou. Dancei no tempo e o tempo avançou!

O sol dançou com a terra. A lua dançou com o tempo, no tempo, no ventre do mar.

Penetrei no teu amor e o meu amor avançou. O nosso amor foi o sol e a lua, foi a terra e o mar.
O nosso amor foi o Tempo.
O teu amor foi o meu amor …agora … resto apenas eu, eu Mar e o Tempo ... esse não sei!



Saturday, September 11, 2004

TRIBUTE
 





Thursday, September 09, 2004



Digam-me que a vida não é só isto … não é só SER, não é só nascer, viver, lutar para comer, aprender para crescer, e por fim … morrer.

Digam-me que não!

Digam-me que existe mais, para além do além, vida depois da vida. Digam-me que existe uma razão para existir …

Será que consenti, ser entregue a este mundo, sem conhecer as regras que regem estas regras?!

E o objectivo final: O Prémio!!

Digam-me que existe prémio depois de tudo finito, digam-me que existem aplausos e sorrisos; Digam-me que irei acordar onde adormeci e penso …foi tudo um sonho;

Não deixem que ao acabar, eu acorde a dormir; Não deixem de descobrir, que mesmo depois de eu acabar voltei ao início onde tinha começado.

E o prémio …
Nem sei sequer se ganhei, se fui desclassificada, ou chamada para começar de novo …

Quem foi o doido que me inscreveu neste jogo?



End of Street, End of Town, End of LIFE ... WHY?
 





Tuesday, September 07, 2004

TRIBUTE
 











"Que sentido tem o Absoluto?

Onde está o absoluto das palavras? Onde está o absoluto das situações? E o absoluto das verdades? O absoluto das mentiras?

Entre nós medeia o absoluto abismo dos absolutos.

Como conviver com absolutos, se a vida é tão curta de verdades tão passageiras, plenas de situações tão mutáveis e mesmo pessoas tão efémeras?!

Mil anos passarão, mil vidas, mil mortes, mil tudo separarão o conhecimento do absoluto do sentimento de absoluto.

Entre absolutos buscados, justificados, relativismos vividos, nada mais nada menos que a vida, a vida absoluta, absolutamente vivida em busca do sentido absoluto da verdadeira Vida."

Cansaço …



Monday, September 06, 2004



Fecho os olhos…
A boca …
Respiro fundo … fundo …até ao fundo …
Fecho as mãos lentamente …
Descontraio os pés e o corpo.

Fecho o pensamento.

Os sons exteriores já não os oiço, nem um pingo de chuva, nem o barulho dos carros a passar, as vozes … há muito que se apagaram …

Neste instante perdi o conceito de dimensão, já não me consigo definir … sou aquilo que eu quiser …

Sinto-me … sem um sentir material … sou essência pura …

Desejava eu, ficar eternamente … ausente… mas não posso … embora queira não me perder tal qual sou.





O que me apetecia neste momento era sair daqui, fugir, vaguear pelo mundo, falar com outras gentes, deixar para trás os melodramáticos, os melindres, a burrice estampada no rosto de alguns, a hipocrisia instalada … fugir deste espaço que me asfixia mais e mais…quando é que …?!



Saturday, September 04, 2004

Quantas Vezes ...
 



"Se eu tivesse um filho, gostaria que ele fosse amigo de alguém que lhe dissesse para olhar menos o vidro do espelho - onde a prata reflecte o seu umbigo - e olhasse mais vidros transparentes mostrando as coisas além da janela. E mesmo vendo tudo, haveria de ter dúvidas.O amigo do meu filho ensinar-lhe-ia que a beleza e a aparência, embora supervalorizadas, são efémeras.

Se eu tivesse um filho, gostaria que ele fosse amigo de uma pessoa sensata, com discernimento das coisas do mundo. Que fosse engraçado para tornar a vida leve, mas que o alertasse sobre os perigos das escolhas.

O amigo do meu filho deveria falar-lhe da importância de seleccionarmos as músicas que ouvimos, os programas que vemos, as ideias que nos vendem.

O amigo do meu filho dir-lhe-ia que o dinheiro não é tão importante, que mais importante é situar-nos entre o bem e o mal, e cada um é responsável pelos heróis escolhidos. Esse amigo do meu filho dir-lhe-ia que a vida no presente cobra-nos as escolhas do passado e, no futuro, nos cobrará as escolhas do presente.

Se eu tivesse um filho, gostaria que ele fosse amigo de uma pessoa de personalidade, identidade, e que, embora com defeitos como todas as pessoas, não é cópia e nem quer cópias. Que o amigo do meu filho o incentivasse a ter os seus próprios gostos, o próprio génio, as próprias ideias e que, acima de tudo, o fizesse pensar sobre o mundo e sobre as pessoas, sobre a felicidade e sobre a vida, sobre a família e sobre a ciência.

O amigo do meu filho poderia falar-lhe, por exemplo, de que tudo se resume a tempo, velocidade e distância. Que o tempo é curto, que é preciso acompanhar com serenidade a velocidade da vida que passa como um flash, que é preciso percorrer distâncias para ligar as coisas separadas.

Se eu tivesse um filho, gostaria que ele fosse amigo de uma pessoa que lhe mostrasse, principalmente, que as aparências enganam, que nós vivemos cheios de preconceitos, que "o essencial é invisível aos olhos", que nós nos fixamos demais em estereótipos.

Se eu tivesse um filho, gostaria que ele fosse amigo de uma pessoa que mostrasse como ter duas tranças, mesmo sendo homem, não fazem mal a ninguém, que roupas, brincos e tatuagens são apenas acessórios, que o que vale mesmo é cérebro, o coração e a alma.

O amigo do meu filho dir-lhe-ia: "Não esperes nada em troca do que dás. Dar pensando em receber é manipulação, o contrário da cumplicidade". Mostrava-lhe o outro engano comum, confundir cumplicidade com dependência. Se ele dependesse de alguém, se precisasse dessa pessoa para se relacionar com os demais e para suprir as suas necessidades, então ele não poderia ser cúmplice. Cumplicidade exige a capacidade de troca, de dar e de receber, de compreender e de ser compreendido.
O amigo do meu filho dir-lhe-ia que ser parceiro é dar sem cobrar. Dar e cobrar é manipulação. Um caminho curto para a desilusão.
Como não tenho filhos, digo com orgulho, que na verdade as aparências não enganam. Nós é que nos enganamos, simplificando as coisas complexas das pessoas e do mundo.
Vemos tranças nos cabelos e não vemos milhares de fios. E é nos fios invisíveis que está a essência de todas as coisas. Se eu tivesse um filho …"



Friday, September 03, 2004



Escrevo como quem tenta o impossível: transcrevo sensações … quase completas.

As palavras são exasperadas, numa tentativa de alcançar a verdade da emoção, em detrimento das pausas do pensamento que escondem as coisas “indizíveis”.

Palavras são conversas interrompidas, onde cada um tem a hora de se expressar. E quem fala, escolhe o momento exacto de fazer isso.

Palavras são riscos eternos e estão prestes a perder o sentido. Palavras eternizadas, fazendo o contra ponto, sentimentos mutáveis.

O que vale nesse exacto segundo pode não valer no próximo. Esse espaço de tempo, entre o sentido e a falta dele, pode ser, simplesmente, o do percurso da mensagem... Portanto, escrever é uma ousadia respaldada na segurança do que se sente.

Há-de existir o cuidado para não existir o arrependimento, os mal-entendidos…
Escrevo palavras como quem abraça a minha vida… Escolho cada palavra levando em conta o que sinto no momento. É um jogo excitante de conhecimento…

Escrever é libertar um pouco do mais íntimo … É ter um pouco de quem recebe cada vez mais próximo e ser afagado por isso.

Escrever é estar só, acreditando que se está acompanhado. Escrever é … um pouco de mim … escrever é ousar ser … escrever é sentimento desenhado em cada letra … é ódio, é paixão, é amor, escrever é …



Wednesday, September 01, 2004

I Can See You All ...
 







"Ah, meu amor! Eu não sei definir Tempo!

Só sei que o Tempo tem Tempos.

Tempo de Ontem, Tempo de Hoje, Tempo de Amanhã, Tempo de Saudade, Tempo de Coragem, Tempo de Esperança.

Há Tempos que não deviam estar no Tempo... Há Tempos que fogem como pássaros em debandada de susto...

Há Tempos que fogem como pôr de sol em dias de chuva...

Ah, meu amor!

Eu deixei fugir Tempos!...

Se eu ainda os agarrar, planto-os numa vastíssima tira de terra, com o sol ao lado da lua...Com um grande pedaço de mar à espera de um rio...

Então, farei o Tempo parar.

O que não interessar, ficará fora deste tempo...

Achas bem amor?

Tu ficarás dentro do meu Tempo construído.
Ah, meu amor!"



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