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Wednesday, December 01, 2004

Crónica de Uma Morte Anunciada
 



Ao fim de 138 dias, depois de ter nascido prematuramente e débil, com evidentes sequelas ao nível de carácter, liderança, dislexias, dando sinais evidentes de autismo profundo e irreversível, finou-se …

Já há algum tempo aqui deixei registado, a minha visão do Santanaz, mas também do Barrosista que me decepcionou. Já todos esperávamos por este desfecho.

Os acontecimentos na vida política, económica e social não deixaram margens para dúvidas, o “ódio destilava-se” por todo o lado, a falta de fé, a falta de estratégia estava a “matar-nos“ escandalosamente.

A Corrupção, a Hipocrisia, a Incompetência, era latente em todo o lado. O salve-se quem poder, era a palavra de ordem para os que podiam.

Brincadeiras à parte, Portugal e a sua imagem mudaram como nunca haviam mudado desde o 25 de Abril.

Nessa altura, os mais velhos sentiram – eu não tinha ainda na altura consciência social e política – que o País poderia finalmente caminhar à frente dos sujeitos e das vontades individuais que o constituem. Essa sensação de velocidade e deslizamento, de determinação da história pela acção imparável da força colectiva, foi a principal marca que 1974 deixou na nossa história mental.

Assim fomos aprendendo, como a democracia é a constituição da preservação dessa força, que aparece sempre que a deixam aparecer. Assim, Guterres sucumbiu em Dezembro de 2001, Durão e o seu Governo dois anos mais tarde, agora, bem agora já todos sabem o que aconteceu … de novo o desnorte nacional.

Também não vou discutir os méritos da designação de Durão Barroso para presidente da Comissão Europeia, apenas volto a reflectir sobre a situação atípica – um primeiro-ministro designado há dois anos, após cinco anos de oposição, foi-se embora, alegando que era para o bem do País. Sempre me cheirou a “flope” mediático, a sacanagem, a “golpe de mão” político-institucional, a falta de coragem virando as costas porque não sabia o que fazer à situação político económica do País.

Depois quem leu ou ouviu certas opiniões sobre a ida de Durão Barroso para a Presidência da Comissão Europeia, ficou com a sensação de que com a assunção do cargo por parte de um português, se iria resolver os problemas do País. Treta, treta … Durão foi para Bruxelas com um país cheio de problemas, e deixando-o, ajudou ao agravamento desses problemas.

Passado alguns dias da Fuga de Durão, alguns bonzos da nossa praça convencionaram que a liderança da CE era boa para o país, só que até agora alguém me sabe explicar em que é que isso nos beneficiou?!
Deixemo-nos de passes de prestidigitação: o cargo que Durão aceitou, trouxe sobretudo prestígio ao próprio, se cumprir bem o seu papel, se não o abandonar também, porque a Portugal … a Portugal o que lhe confere prestígio é o desenvolvimento, as performances no crescimento económico, no bem-estar dos cidadãos, os nossos índices de desenvolvimento humano, a capacidade que tivermos em desenvolver a nossa cultura. Tudo isso é que nos fará ter uma voz respeitada na Europa, já que pertencer à Comunidade Económica Europeia, bem ... deixem-me rir ...
Que fique bem claro que Durão enquanto Presidente da CE, a propor medidas para o desenvolvimento das políticas comunitárias e velar pela aplicação dos Tratados e das decisões tomadas pela Comunidade, em nada dependerá das autoridades portuguesas e tem de tratar o seu País de origem em rigoroso pé de igualdade com qualquer outro dos 25.

Por tudo isto, volto a reafirmar que a decisão de Sampaio e a recusa do PSD em disputar eleições, no passado mês de Julho (mais coisa menos coisa) surgiram marcadas pelo signo de “inexplicável suspeita de resistência”.

Trinta anos depois de 1974, o mundo político fechou-se sobre si próprio: nos negócios das secretarias, nos compromissos secretos, nos erros de casting, no autismo jurídico e tecnocrata. Esta situação deu no que deu, “coisas" como a de um Governo Sampaio/Santana/Portas/Cinha Jardim. Daí que tanta gente hoje esteja decepcionada com o próprio processo democrático.

Esta situação foi o culminar de muitos erros, a começar pelo então P.M. Barroso que se pôs ao fresco em Bruxelas, aproveitando o que a imprensa internacional chamou de um “mínimo denominador comum”;

O Presidente da República encenou um enorme tabu à volta da “solução da crise política” – entregando o Governo a um líder político que não se apresentou nessas condições. Na verdade, Santana não teve falta de adversários, ódios de estimação e rancores, ganhos das suas polémicas gestões, da Secretaria de Estado da Cultura à Câmara Municipal de Lisboa, passando pelo Sporting, pelo município da Figueira da Foz e eu sei lá ….

Quanta confusão! O grande problema é que as confusões pagam-se caro, aliás muitíssimo caro. Todos têm a consciência de que:

Não há líderes activos, “Os bons Políticos” ou estão a fazer operação de Charme ou … não querem mesmo pegar nesta desgraça.

  • A Economia Portuguesa só vai ter indícios de sobrevivência lá para o segundo semestre de 2005;
  • O Desemprego vai crescer, mas não nos valores que o INE avança, vai ser mais muito mais;
  • A recuperação económica?! Onde? O que é isso?
  • O Deficit vai aumentar;

As doninhas do sistema vão crescer, a corrupção vai ser ainda maior se não decidir-mos bem sobre o que vai ser o Nosso Futuro.

Não esqueçam que nos negócios da política não é possível, quando um eleito não cumpre o contrato político feito com os eleitores, devolvê-lo dizendo: “Não foi isto que comprei, quero o meu voto de volta”, a factura tem que ser paga até ao fim.

Só em próximas eleições é que se protesta, comprando de novo e arriscando porque, tudo volta a repetir-se. Por isso é que a “loja” tem cada vez menos clientes.

Continuamos numa situação pornograficamente escandalosa. Até lá … vamos continuar a vegetar, a ouvir uma espécie de juízo crítico parido em pequenos grupos, a vomitar de nojo e apenas dentro de certos limites a engolir sapinhos.




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