<$BlogRSDUrl$>

Monday, February 28, 2005



Perguntas tantas vezes …

Sabes, gostaria que fosse minha a sede que te seca os lábios. Gostaria que fosse meu o ar que te falta e sufoca. Gostaria que fossem teus os seixos do meu rio; Queria que fossem minhas as marés que te alagam; Queria melodia nas minhas águas com esse teu sorriso maroto.

Queria que fosse tua a palavra não dita na minha mordaça.

Agora eu … eu sou apenas ampla, apenas plena de sentidos, para que me decifres inteira … eu apenas eu …

Inunda-me, arrebenta-me sempre com as tuas vazantes e torrentes, inunda-me sempre que eu tenho sede.

O nome que me cala é teu; É minha a fome que te abrasa; É teu o sabor da minha saliva.

A saudade que em ti mora também me faz cativa; São tantos os teus os sinais pelo meu corpo, são tão profundas as marcas dos meus pés pelo teu caminho.

Toca-me com a tua urgência. Esculpe em mim, o teu desejo, a tua fome que bem conheço. Faço-me pequena para que possas conter-me. E nesses teu toque, viro poema sussurrando as palavras que nunca te entreguei.

Em troca quero apenas a tua deligênica, o teu desacato aos pudores.

Em troca quero toda a vastidão do teu sentir.

Quero a tua sede, o teu fogo, o teu desejo trespassando-me, desnudando-me traduzindo-me por inteiro.

Rabisca na minha pele arabescos de arrepios; Desgoverna os meus rumos; Desvenda os meus segredos; Arrebata os meus pudores; Despe-me desta casca casulo de segredos em que me guardo; Cala o meu grito com a tua boca… inunda-me, mas inunda-me sempre que tenho tanta sede…



This page is powered by Blogger. Isn't yours?