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Friday, March 04, 2005



Prometeu ensinou os gregos a observar as estrelas, a cantar e a escrever; mostrou como fazer para subjugar os animais mais fortes; demonstrou-lhes como fazer barcos e velas e como poderiam navegar; ensinou-os a enfrentar os problemas quotidianos e a fazer unguentos e remédios para suas feridas. Por último, deu-lhes o dom da profecia, para o entendimento dos sonhos; mostrou-lhes o fundo da Terra e suas riquezas minerais: o cobre, a prata e o ouro e a fazer da vida algo mais confortável. Prometeu significava, literalmente, “aquele que prevê”.

Quase todos os Governos anestesiam os portugueses; criam-lhes um universo paralelo e virtual onde as coisas acontecem sem esforço nem contrapartidas; auto-estradas que não eram pagas; prestações sociais de fiscalização duvidosa, mas de comparticipações seguras; empregos fáceis e abundantes na administração pública; etc., etc.. Os Governos tornam-se, literalmente em “aqueles que não fazsm a mínima ideia do futuro”.

Zeus, vingou-se de Prometeu tornando a Terra num vale de lágrimas e de dor, espalhou as doenças, silenciosas e mortíferas. E cevou a sua vingança em Prometeu, acorrentando-o a um penhasco nas montanhas caucasianas em face de um abismo horrendo, com correntes inquebráveis. Zeus, ainda ordenou que um abutre devorasse todos os dias o fígado do prisioneiro, que sempre se reconstituía à noite.

Os Governos não precisam de Zeus. O seu universo paralelo e virtual é destruído pelas misérias deste mundo: a falta de dinheiro, o défice excessivo, o PEC, dívidas incobráveis, etc..

Quanto à vingança sobre eles próprios, não precisam de ajuda - encarregam-se eles mesmo dela. A partir dos primeiros meses de governação, quando começam a verificar que o seu universo virtual não é combinável com as duras realidades do mercado, escassez de fundos, descalabro financeiro à vista, amarram-se eles próprio ao Cáucaso da política e criam a lamentosa imagem que lhes está a debicar permanentemente o fígado e o resto das vísceras: são os barões do seu partido, a oposição de direita, a oposição de esquerda, a necessidade de degustar o queijo “limiano”, o povo que não os compreende, blá, blá, blá

Os nossos governos arrastam-se, durante a maior parte do tempo dos seus governos, como vítimas incompreendidas. São o nosso Prometeu, o nosso Prometeu de trazer por casa.

Finalmente os Hércules da política, os eleitores, libertam-no e permitem-lhe um exílio tranquilo, longe do nosso Cáucaso escarpado.

Quando um dia regressam ao nosso Cáucaso, novamente como vítimas, queixam-se de disfunção hepática-política.

Acreditavam num projecto e iam executá-lo, mas acabou por se criar uma «lógica política pantanosa que foi preciso interromper, dando o voto e a decisão ao povo».

O projecto era grandioso, pois tudo indicava que a política orçamental deveria ser conduzida de forma genial para mostrar como é possível fazer prosperar um país após um completo descalabro financeiro. Sentem-se Super-heróis e no fundo foram tratados como Super-vilões.

Infelizmente a manifesta má vontade dos eleitores impediu, indirectamente, que esse projecto visse a luz da política e que as ciências políticas e económicas se enriquecessem com uma contribuição notável. Sempre as mesmas desculpas …

Enfim os Nossos Governos têm como profissão: Vítimas, agora e sempre…
(desconheço autor)



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