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Friday, April 08, 2005




De um canto do quarto observo o corpo exausto.

Não me espanta que a minha carne deseje a tua, mas que a minha alma deseje o teu corpo faz-me ciúme …

A paz do depois, a agonia do antes, o maremoto do durante … tudo é explosão na ânsia do instante.

Uma paixão inesperada chegou na madrugada, e eu desvairadamente louca, deixo queimar-me pelo fogo desta paixão.

Esta bruxa feiticeira, que me envolve, colocando na minha boca a poção, o veneno, arrancando-me de mim, sugando-me deixando-me pequena …

O que resta na boca senão o fel de ontem?! Tão doce quanto seria no início a ressaca do mar, a cabeça zonza, as juras não cumpridas, o desejo negado … é isso, Paixão amarga-doce … ilusão de uma noite…

Um dia de pecados… Não tenho solução para o amor e retraio-me … as juras de repente são eternas e eu engulo a minha moralidade, juntamente com a modéstia … deixo-me tomar pelo pecado reverso, alma … paralelo entre o prazer e a decência …

Abrindo o dicionário e o meu coração encontro conceitos diversos para o que seja o Pecado … resta-me olhar nos teus olhos como redenção. Assim se eu peco, purifico-me, se sou inocente tenho o paraíso … olho nos teus olhos ainda como devota penitência, olhando-os sem os beijar é jejum, é sacrifício, oferenda.

Diz-me que não te beijar é pecar contra a carne …

E assim fico, louca ao perceber que te desejo, deliro quando olho nos teus olhos … e permaneço quieta!

Serei tudo o que quiseres, a tua alma sem a menor imolação, o teu sangue que activa o teu coração, o pássaro dócil que alisa com plumas a tua pele, o lobo faminto que te abocanha sem asseio, a gaze amarrada para toda a resposta não suplicada, serei o teu futuro amaldiçoado por esta paixão que nos envolve.

Enquanto isso escrevo … escrevo porque me dói a alma e o coração, escrevo porque quero esta paixão de amar, paixão louca … e se um dia cair tentarei juntar os cacos, mas podem fragilizar-se demais … e então …quero sempre a Paixão.



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