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Thursday, May 19, 2005



Rolem pelas ruas.
Quem ainda é viçoso, jovem e não desumanizado, às ruas!O pançudo morteiro das risadas desceu à praça, ébrio de alegria.
O riso e o amor juntam-se com a tristeza e o ódio, abraçados um ao outro na paixão convulsa e poderosa dos prazeres bestiais.
Que psicologia de contrastes!Espíritos intoxicados e ardentes alçaram a bandeira flamejante da revolução intelectual.
Morte às criaturas da rotina!
Quebrem com um barulho ensurdecedor a copa das tempestades vingadoras!Façam explodir em mil pedacinhos os frágeis ídolos das civilizações! Vocês, arquitectos decadentes do sarcófago do pensamento, sentinelas do cemitério universal dos livros, escroques da sociedade, saiam do caminho!
Escrever não tem valor algum! Não há mercado para a literatura! Não há prosas, limites para a criatividade subjectiva! Não há liberdade, respeito, honestidade, não há NADA, Tudo é proibido!
Os filhos da natureza recebem extasiados de alegria o cavalheiresco beijo dourado do sol e o opulento ventre nu e lascivo da terra. Os filhos da natureza, desabrochando da terra negra, encarnam as paixões dos corpos nus e luxuriosos. Estão todos comprimidos numa única copa geradora, grávida!Milhares de braços e pernas trancam-se num único maço sufocante e exausto!A pele inflama-se de cálidas, insaciáveis e pungentes carícias.
Os dentes afundam com ódio na carne tépida e suculenta dos amantes! Olhos arregalados, atónitos, seguem ardente e impregnante dança da luxúria! Tudo é estranho, desinibido, elementar. A convulsão, a carne, a vida, a morte, tudo! Tudo!Apareceu algo terrificante – um vampiro da tristeza!
Gritos frenéticos, penetrantes, laceram no ar, esperem! A tristeza! Negras e bocejantes úlceras de agonia cobrem o vulto pálido e amedrontado do céu.
A terra treme de pavor sob as pancadas poderosas e plenas de ódios de seus filhos! Oh, malditas e desprezíveis coisas! Laceram a carne tenra e opulenta e sepultem a própria tristeza florescente e faminta no rio de sangue e nas frescas feridas de seu corpo.
Esta é hoje a minha prosa!



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