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Thursday, June 09, 2005



Amo em silêncio. Sofro em silêncio.

Do meu silêncio, da minha solidão e do meu refúgio, nasceu alguém que já não conheço. O isolamento fez com que me perdesse dentro de mim.

Já não sei quem sou!

Esta procura que agora faço, esta tentativa de reencontro, tem sido bastante sinuosa e espinhosa. Já percorri caminhos que nunca quis conhecer, e descobri o que jamais pensei existir.

Tenho saudades da minha inocência, da loucura de pensar que era feliz.

Amo em silêncio. Sofro em silêncio.

Neste momento, há uma nostalgia que se apodera de mim. Uma lágrima envergonhada percorre as faces cansadas do meu rosto. Estou cansada. Cansada de me esconder perante mim e os outros.

A minha lágrima é como outra qualquer. Uma lágrima igual à de tanta gente. No entanto, é uma lágrima diferente. É uma lágrima silenciosa e que todos fazem questão de silenciar.

Amo em silêncio. Sofro em silêncio.

A barreira que encontro nos outros alimenta os meus silêncios. Tenho medo de descobrir o que não quero. Ainda não estou preparada para perder aqueles que hoje se dizem meus amigos.

Sou a mesma que sempre fui. Aquela em quem confiaram, aquela com quem já se riram e choraram, com quem falaram e cantaram, aquela que transmite fortaleza, mas na realidade ninguém me conhece! Não conhecem a mulher que ama, que chora, que sofre e que sonha. Tenho medo de me mostrar. Medo que o vosso silêncio se junte ao meu. Medo de sair da minha solidão interior e ficar completamente só.

Amo em silêncio. Sofro em silêncio.

Será que ninguém compreende o valor do amor? Não será o meu amor igual ao dos outros? Será que amo de forma diferente? No meio de tantas incertezas só sei que o meu amor não tem fim. Amo incondicionalmente. Amo paisagens, objectos, animais, pessoas. Amo sem olhar à cor, à cultura, à fortuna e ao sexo. O meu amor é superior a tudo isto e sinto-me feliz por isso. Não partilho esta felicidade com ninguém pois o vosso mundo não é assim.

No mundo em que vivemos, o amor não existe, não podemos simplesmente amar?!
O amor subjuga-se ao sexo e deixa-se limitar pelo corpo. É a isto que chamamos amor? Um sentimento escravo do físico? Onde está aquela nobreza, a superioridade, a irreverência e a juventude do amor?

O sexo em si é um acto puramente carnal e animalesco, mas o sexo também pode transmitir tudo aquilo que as palavras são incapazes de descrever. Para isso, primeiro é preciso que exista amor. Só o amor dá valor ao sexo. Só o amor lhe dá significado. Só o amor o faz transcender e permite juntar os amantes numa união inebriante.

Porque nos limitamos ao sexo quando podemos ter amor? Só peço que me deixem amar e que fiquem felizes por mim.

Sofro em silêncio e continuo a amar em silêncio…



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