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Sunday, October 30, 2005



Quero que todos os dias do ano, todos os dias da vida, de meia em meia hora, de 5 em 5 minutos me digas: AMO-TE.

Ouvindo-te dizer: Amo-Te, creio, no momento, que sou amado. No momento anterior e no seguinte,como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão que me amas que me amas que me amas. Do contrário evapora-se a amação pois ao não dizer: Eu te amo,desmentes apagas teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado. Não exijo senão isto,isto sempre, isto cada vez mais. Quero ser amado por e em tua palavra, nem sei de outra maneira a não ser esta de reconhecer o dom amoroso, a perfeita maneira de saber-se amado: amor na raiz da palavra e na sua emissão, amor saltando da língua nacional,amor feito som vibração espacial.

No momento em que não me dizes: Amo-TE, inexoravelmente sei que deixaste de amar-me,que nunca me amastes antes.

Se não me disseres urgente repetido AMO-TE amoamoamoamo,verdade fulminante que acabas de desentranhar,eu me precipito no caos, essa colecção de objectos de não-amor.

Carlos Drummond de Andrade



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