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Wednesday, January 18, 2006



A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.
Os sinos têm dobres d’agonias
Ao gemer, comovidos, o seu mal...
E todos têm sons de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias...
A minha Dor é um convento.
Há lírios dum roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!
Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro!
E ninguém ouve... ninguém vê... ninguém...

Há sonhos que ao enterrar-se,
Levam dentro do caixão
Bocados da nossa alma,
Pedaços do coração!
(Florbela Espanca)



Wednesday, January 11, 2006




Era todo o Universo, o meu mundo,
O meu mundo fácil.

Eu era o sol íntimo
Que acarinhava o meu próprio mundo,
O meu mundo decorado de fácil.

Eu era um palhaço vestido de fácil.
Um palhaço que tinha um sorriso fácil...
Era a força mais fácil para encontrar um amigo fácil!...

Mas o meu mundo, o meu mundo fácil,
Foi devorado
Pelo tempo que não respirou.

O palhaço,
Deixou de ser o palhaço decorado de fácil!
O mundo fácil já é não o mundo fácil...
A simbiose palhaço-pessoa deixou de actuar!

Hoje,
O meu mundo fácil, é outra simbiose.
Eu-Solidão
Solidão, amiga Fácil!



Friday, January 06, 2006



Não sei se não amar é pecado,
Se “odiar” é viver em santidade.
Sei que “odeio” este ser presente e amo até à loucura o ser Ausente.
Pecado é estado de graça de quem passa pela vida desencantado.
Amar é sofrer de mal-amado, histórias por contar mil vezes contadas.
Antes pudesse pecar …
(Margarida Fernandes Neves)





Nesta procura constante do meu eu, sempre falhado, existem histórias por contar, sonhos por viver, vida enredada, mágoas imensas, desejos reprimidos, dores revividas…

No encontrar da minha sombra, descoordenada, perderam-se os últimos acordes da vida.

(Margarida Fernandes Neves)





"Pai! Em face dos homens mantenho a posição erecta, a linha da dignidade que tu conservas e que me ensinaste a mostrar. Mas diante de ti, posto que em pé, fitando o teu vulto que é dos que descem subindo, em contraste com muitos que sobem descendo, diante de ti, pai, mal não é que eu ajoelhe…há momentos em que a alma, qualquer que seja a atitude do corpo, está de joelhos."



Thursday, January 05, 2006



Se Eu Fosse Fingidora!
Se a minha boca fosse um girassol fingidor!
Se a minha voz mastigasse palavras fingidoras!
Se as minhas mãos alienassem gestos fingidores!
Se o meu corpo fosse um leito fingidor!
Se os meus passos desenhassem pombas fingidoras!
Eu encontraria no ventre do mundo,
O mais lindo beijo fingidor!
Então ...
Prefiro uma lágrima...



Wednesday, January 04, 2006



Procuro despir-me do que aprendi;
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
Raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembuchar-me e ser Eu...

Ainda assim sou alguém,
Sou a descobridora da natureza,
Sou a argonauta das sensações verdadeiras.
Trago ao Universo um novo universo,
Porque trago ao universo ele próprio.

Em mim há um mar de emoções,
Turbilhão de mim própria
Labirinto onde me perco e encontro
Na procura constante e incessante
Do sentir profundamente verdadeiro.

Prescindirei de tudo na vida,
Menos de ser EU PRÓPRIA.



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